Bikes compartilhadas têm potencial para ser alternativa de mobilidade, não fossem todos os problemas

Por R$ 24,90 por mês, é possível utilizar o serviço de bikes compartilhadas da Tembici de maneira praticamente ilimitada. O plano dá direito a quatro viagens por dia. Seria uma alternativa interessante de mobilidade, não fossem todos os problemas do serviço e da infraestrutura da cidade.

Nós utilizamos o serviço por uma semana e analisamos os pontos positivos e negativos.

Começando pelos positivos: ir de bike é barato, não polui e, em horários de pico, é mais ágil que automóveis. Saímos às 17h45 do Passeio Público em direção ao Batel, próximo à Praça do Japão, e levamos 22 minutos. De carro, é possível que chegasse a 30 minutos.

Além de agilidade, o serviço pode – mas nem sempre é – ser também prático, pois o ciclista não precisa se preocupar tanto com furtos e prejuízos.

Trajeto entre o Passeio Público e o Batel

É uma pena que são muitos os desafios para ter uma experiência positiva com as bikes compartilhadas.

A Tembici opera de maneira exclusiva o serviço há oito meses em Curitiba, mas ainda não corrigiu problemas básicos. O aplicativo é péssimo: lento, trava e tem poucas funcionalidades. Não existe uma opção de pesquisar as estações mais próximas – apenas um mapa geral da cidade. Ao tentar desbloquear uma bicicleta, é comum dar erro, e o aplicativo, mesmo assim, iniciar a contagem. Para voltar a utilizá-lo, só fechando e abrindo novamente. Quando a falha não é no app, é nas estações, que muitas vezes não liberam a bicicleta, apesar de o desbloqueio ter sido feito digitalmente.

Bug comum: bicicleta não desbloqueia, mas viagem é iniciada

Outro problema é a escassez de bicicletas. Em dias de tempo bom, é difícil conseguir uma unidade. Nos fins de semana, praticamente impossível, pois parece que as bikes são levadas para manutenção – teoricamente, pois é comum pegar bicicletas desajustadas, barulhentas e com outros defeitos.

O que poderia ser o grande diferencial do serviço, as bikes elétricas, são disputadas, e consegui-las requer sorte, pois são minoria na frota.

O número de estações não é suficiente, e vários pontos da cidade estão descobertos. Com mais estações, seria perfeitamente possível utilizar as bikes como um complemento da mobilidade – usando-as para chegar até pontos de ônibus, por exemplo, ou para trajetos mais curtos no Centro.

A Tembici precisa desempenhar melhor seu serviço. Mas a prefeitura também. Curitiba tem potencial para ser uma cidade ciclística, por seu relevo plano e avenidas largas. Contudo, são poucas as ciclovias ou ciclofaixas, como as da Sete de Setembro. A utilização de bikes pela cidade, principalmente nos horários de pico, necessita de coragem, pois os riscos do trânsito pesado são muitos.

Pelo baixo custo do serviço, bikes são bastante utilizadas por entregadores

Parece um grande desperdício que Curitiba não invista adequadamente em seu potencial ciclístico e que um serviço com potencial para ser uma alternativa de mobilidade patine – ou pedale – pela qualidade precária.

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