Festival de Curitiba:Ensaio sobre a Cegueira mostra que o jogo entre atores ainda é a coisa mais bela do teatro

Uma das peças mais aguardadas e aclamadas d Festival de Curitiba, Ensaio sobre a Cegueira, do Grupo Galpão, comoveu os espectadores em duas apresentações lotadas no Guairinha. Uma adaptação inteligente, que usa trechos literais e recursos teatrais capazes de potencializar a impressão sensorial que Saramago já provoca no livro — e que, no teatro, com uma montagem dessa qualidade, ganha dimensão, vida, luzes, cores e tambores.

É uma epopeia que exige fôlego para ser colocada no palco, com tanto texto, marcações e coreografias; tudo isso num ritmo preciso, com a hora certa de explodir e a hora certa de silenciar.

Um ensaio sobre a cegueira, mas também sobre o silêncio — entre trechos fortes e outros em que o silêncio caberia numa vida.

Há monólogos muito bem-sucedidos (gênero que parece se multiplicar, também por custo de produção). Mas o jogo entre os atores, na encenação, e a troca que sempre existe entre artistas no palco ganha uma proporção difícil de imaginar em Ensaio sobre a cegueira, a não ser num grupo que está há décadas pesquisando, estudando, ensaiando e que já sabe quase tudo de quem divide a cena.

O jogo entre atores continua sendo uma das coisas belas do teatro. Palco é um lugar de gentileza: saber a hora de brilhar, mas também o momento de ser escada para o companheiro. E a generosidade entre os artistas, nesta montagem, não passa despercebida.

Ensaio sobre a Cegueira é uma peça linda, que começa no palco, se expande para a plateia e vai além, ocupando a rua.

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