Parlamentares da oposição manifestaram preocupação com a segurança da população e de turistas em Matinhos, no litoral do Paraná, após a maré alta provocar erosão de cerca de 1,5 metro em trechos da orla onde estão previstas estruturas para os shows do Verão Maior Paraná, com início marcado para a próxima sexta-feira (9).
O deputado estadual Requião Filho (PDT) questionou a realização dos eventos diante do cenário observado na praia. Imagens divulgadas mostram desníveis acentuados na areia, próximos às estruturas montadas para os shows, o que, segundo o parlamentar, gera instabilidade e risco ao público.
“A maré alta veio e levou areia, deixando um degrau enorme e trazendo uma instabilidade para a própria estrutura dos shows que vão acontecer. A minha preocupação é com as pessoas, é uma questão de segurança que não pode ser ignorada pelo governo do Paraná”, afirmou.
Requião Filho defendeu que os eventos só ocorram mediante garantias técnicas claras de segurança para o público, trabalhadores e artistas. Para ele, a proteção da população deve prevalecer sobre a promoção institucional. “Espero que o governo se comprometa com a segurança das pessoas mais do que ele se preocupa com a propaganda”, disse.
O deputado federal Tadeu Veneri (PT) também criticou a situação e associou o problema à obra de engorda da praia, realizada pelo governo estadual. Segundo ele, a fragilidade da intervenção já havia sido apontada por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), considerando as características do mar na região da Praia Brava.
“A estrutura preparada para a agenda de shows do verão está montada e nós estamos preocupados com a segurança da população. A erosão causada pela maré alta atingiu as instalações”, afirmou.
Veneri destacou que o governo informou a manutenção da programação, que começa com a apresentação do DJ Alok, e defendeu a atuação de órgãos de controle. Ele questionou ainda a responsabilidade pela obra. “A empreiteira que fez a obra é responsável? Ou o povo do Paraná está pagando mais uma vez pela engorda? Precisamos apurar as responsabilidades porque é dinheiro público”, declarou.
Já o deputado estadual Goura Nataraj (PDT) afirmou que a situação reforça alertas feitos desde o início da engorda da praia. Segundo ele, seu mandato solicitou ao governo que considerasse notas técnicas de pesquisadores da UFPR e questionou o monitoramento da dinâmica costeira após a revitalização.
“É inadmissível que o Paraná gaste milhões de reais em uma obra que já apresenta esse tipo de problema com frequência — nosso investimento é varrido pelo oceano”, disse.
Goura informou que, em outubro de 2025, seu mandato protocolou requerimento ao Instituto Água e Terra (IAT) sobre o monitoramento da área e que novas comunicações estão sendo encaminhadas às autoridades. O parlamentar afirmou ainda estar em contato com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para averiguar a situação. “Basta de negar a ciência nas tomadas de decisões políticas”, concluiu.
Em 2022, o governo estadual concluiu as obras de engorda da praia em Matinhos, com investimento de R$ 315 milhões. À época, pesquisadores da UFPR alertaram para riscos associados à retirada de vegetação e à ocupação da região. Em outubro de 2025, uma erosão superior a 2 metros já havia sido registrada na Praia Brava.

