Historicamente identificada com uma visão classista da política — corrente da esquerda que coloca a luta de classes no centro da disputa social —, a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann tem ampliado sua atuação para além das pautas tradicionalmente associadas à esquerda. Nos últimos meses, temas como direitos das mulheres, proteção ambiental, bem-estar animal, inclusão, habitação e saúde pública passaram a ocupar espaço crescente em sua agenda política.
Ao longo de sua trajetória, Gleisi construiu sua imagem pública ligada à defesa dos trabalhadores, dos movimentos sociais, da reforma agrária e das políticas de distribuição de renda. São bandeiras que seguem presentes em seus discursos e posicionamentos, mas que hoje convivem com uma agenda mais ampla do que aquela que marcou sua ascensão política no PT.
A passagem pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República coincidiu com essa ampliação temática. Na função, Gleisi participou de agendas relacionadas a diferentes áreas do governo federal, do lançamento de obras e investimentos à entrega de equipamentos para a saúde pública, programas habitacionais e ações voltadas à proteção animal.
Em março, a então ministra participou do anúncio do decreto “Justiça por Orelha”, que ampliou as punições para casos de maus-tratos contra animais. A norma elevou multas e endureceu penalidades para situações consideradas graves. A causa animal, tradicionalmente distante das pautas centrais da esquerda brasileira, passou a aparecer com frequência em seus compromissos públicos e canais de comunicação.
Questões ambientais também ganharam presença constante em sua atuação. Ao longo dos últimos meses, Gleisi participou de eventos e iniciativas ligados à preservação ambiental, sustentabilidade e enfrentamento das mudanças climáticas, temas que ocupam posição relevante na agenda do governo Lula.
A pauta dos direitos das mulheres também ganhou protagonismo em sua atuação recente. Durante o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho ao Governo do Paraná e de Gleisi Hoffmann ao Senado, realizado em Curitiba no fim de maio, a deputada dedicou parte significativa de seu discurso ao tema. Na ocasião, criticou a naturalização da violência contra as mulheres, associou o avanço de discursos misóginos ao crescimento da violência de gênero e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de proteção e enfrentamento ao feminicídio.
Gleisi também destacou a necessidade de ampliar a participação feminina no mercado de trabalho em condições de igualdade, defendeu a equiparação salarial entre homens e mulheres e afirmou que a redução da jornada de trabalho deve fazer parte das prioridades do campo progressista.
“Não dá para continuar a mulher morrendo por ser mulher”, afirmou durante o evento.
A pauta da inclusão também passou a integrar sua agenda com maior frequência. Em maio, Gleisi participou da assinatura de um convênio entre a Itaipu Binacional e a Associação dos Municípios do Paraná para oferecer 16 mil vagas em cursos de pós-graduação gratuitos a servidores municipais. Entre as áreas contempladas está uma formação específica em autismo, iniciativa voltada à qualificação de profissionais que atuam diretamente nos municípios paranaenses.
Saúde e habitação formam outro eixo importante dessa atuação. No Paraná, Gleisi participou de entregas de ambulâncias, equipamentos para unidades de saúde, anúncios de investimentos federais e eventos ligados ao Minha Casa Minha Vida. Também esteve associada a projetos de infraestrutura, obras de mobilidade urbana e investimentos em portos, aeroportos e rodovias.
Em março, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou da assinatura de ordens de serviço que somam cerca de R$ 2 bilhões para o Paraná. Os recursos contemplam intervenções urbanas, melhorias logísticas e obras voltadas ao escoamento da produção agrícola.
A ampliação da agenda ocorre em meio aos preparativos para a disputa de 2026. Pré-candidata ao Senado, Gleisi mantém as bandeiras históricas ligadas ao mundo do trabalho, à reforma agrária e à redução das desigualdades, mas passou a ocupar espaço com temas que mobilizam segmentos diversos da sociedade e ganharam relevância crescente no debate público brasileiro.