23ª Jornada de Agroecologia termina com ato em defesa da Palestina, Cuba e Venezuela e partilha de sementes

Foto: Leonardo Henrique

A 23ª Jornada de Agroecologia terminou neste domingo (21), no campus Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, com a tradicional partilha de sementes e mudas e um ato de solidariedade aos povos da Palestina, Cuba e Venezuela. Realizada de quinta a domingo, a Jornada reuniu mais de 60 organizações e coletivos do Paraná e debateu temas ligados à agroecologia, soberania alimentar, reforma agrária e direitos dos povos.

Durante o ato, o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Ualid Rabah, relacionou a situação da Palestina à luta pela terra e à soberania nacional. Ele denunciou a destruição da agricultura palestina e afirmou que os ataques aos sistemas de produção de alimentos fazem parte de uma estratégia de extermínio da população.

“Destruir a agricultura, destruir a pecuária, destruir todos os instrumentos de alimentação de um povo é o objetivo estratégico do imperialismo em Gaza”, declarou.

Rabah também associou a defesa da reforma agrária no Brasil à resistência contra processos de dominação externa, argumentando que a permanência de milhões de famílias camponesas no campo fortalece a soberania nacional.

A dirigente nacional do MST no Maranhão, Júlia Araújo, destacou a solidariedade internacional como um dos princípios da organização. Segundo ela, o movimento mantém brigadas voltadas à alfabetização, produção de alimentos e reconstrução de comunidades em diferentes países, além de ações de denúncia de violações de direitos.

“Uma das grandes qualidades que a gente procura cultivar em cada militante é a solidariedade”, afirmou.

Sobre a Palestina, Araújo defendeu a mobilização permanente. “O que a gente tem orientado é não fazer silêncio. Nem um minuto de silêncio. O tempo inteiro a gente conseguir denunciar, usar as redes sociais e ir para as ruas”, disse.

A cerimônia de encerramento também contou com a tradicional partilha de sementes e mudas. No gramado do Centro Politécnico, participantes formaram uma grande roda em torno de espécies cultivadas e preservadas por povos originários, comunidades tradicionais, agricultores familiares e assentamentos da reforma agrária. A atividade foi organizada por diversos coletivos, entre eles a Rede de Sementes da Agroecologia (ReSA).

Outro destaque do encerramento foi a fala do coordenador da Terra de Direitos, Darci Frigo, que recordou a morte do militante Valmir Mota de Oliveira, o Keno, durante uma ação contra a estação experimental da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, em 2007. Frigo destacou a decisão judicial que condenou a empresa a indenizar a família de Keno e a militante Isabel, sobrevivente do mesmo episódio.

“No ano passado, depois de quase 20 anos, nós conseguimos que o Judiciário brasileiro condenasse a Syngenta a indenizar a família do Keno”, afirmou.

Frigo também criticou a concentração do sistema alimentar nas mãos de grandes corporações e defendeu o fortalecimento das políticas públicas para a agroecologia e a agricultura familiar.

Na carta final da Jornada, as organizações participantes defenderam a agroecologia como resposta à crise climática e ao avanço do agronegócio. O documento reafirma a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à agricultura familiar, à soberania alimentar e à reforma agrária popular. A carta também alerta para os impactos da desinformação sobre a democracia.

“A desinformação e a disseminação de notícias falsas têm sido utilizadas para manipular a opinião pública, atacar direitos conquistados e enfraquecer a organização popular”, registra o documento.

Ao encerrar sua 23ª edição, a Jornada reafirmou a defesa da solidariedade entre os povos e conectou as pautas da produção de alimentos, da preservação dos territórios e da agroecologia aos desafios enfrentados por comunidades em diferentes partes do mundo.

A 23ª Jornada de Agroecologia é realizada pela Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária (ACAP), com apoio de organizações, movimentos sociais e instituições parceiras, entre elas a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Ministério da Saúde.

A edição deste ano contou com patrocínio do Sebrae, Itaipu Binacional, Fundação Banco do Brasil e Governo Federal.

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