A Curiosaidade atende crianças, adolescentes e adultos, integrando família, escola e equipe multidisciplinar para promover autonomia, participação e qualidade de vida
A experiência pessoal da psicopedagoga Franciane Rios como mãe de Raul, diagnosticado com autismo nível 2 ainda bebê, deu origem à Curiosaidade, espaço criado na região metropolitana de Curitiba (PR), em São José dos Pinhais, para promover o desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes baseado também na sua trajetória profissional nas áreas da psicologia, educação e análise do comportamento.
Quando Raul tinha cerca de nove meses, Franciane percebeu diferenças no desenvolvimento, principalmente na interação social e no contato visual. Após o diagnóstico, iniciou uma intensa jornada de estudos sobre autismo e desenvolvimento infantil, além de buscar diferentes profissionais e modelos de intervenção.
“Quando recebi o diagnóstico, abaixei a cabeça e fui procurar tudo o que eu poderia fazer para proporcionar ao meu filho desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida”, conta.
A experiência, porém, também revelou dificuldades nos modelos tradicionais de atendimento. Entre elas estavam os ambientes excessivamente clínicos, a ênfase nos déficits e a fragmentação da atuação dos diferentes profissionais.
“Eu sentia que estava levando meu filho para um hospital ou para uma clínica como se ele tivesse uma doença que precisasse ser curada. Isso não correspondia à maneira como eu enxergava o Raul e o autismo”, relata.
Foi a partir dessas experiências que nasceu a Curiosaidade, com a proposta de criar um ambiente mais acolhedor e integrado. O espaço funciona como uma casa compartilhada, onde as pessoas podem circular, criar vínculos, fazer escolhas e desenvolver habilidades relevantes para a vida cotidiana.

O atendimento é individualizado e considera as necessidades de suporte, as potencialidades, os interesses, a história e o contexto de cada pessoa. A equipe multidisciplinar atua de forma integrada com as famílias, as escolas e outros profissionais envolvidos, favorecendo que as habilidades desenvolvidas durante os atendimentos sejam utilizadas em diferentes ambientes.
“Não basta oferecer uma sequência de terapias. É necessário construir um espaço em que a pessoa seja compreendida integralmente, tenha oportunidades reais de desenvolvimento e se sinta pertencente”, explica Franciane.
A participação da família é um dos pilares da proposta. Os responsáveis podem acompanhar o processo, compreender os objetivos do atendimento e aprender estratégias que contribuam para levar as habilidades desenvolvidas para a rotina familiar e comunitária.
Para Franciane, o desenvolvimento não acontece apenas dentro de uma sala de atendimento. Ele se revela na capacidade de participar da escola, comunicar necessidades, brincar, estabelecer relações, realizar atividades cotidianas e ocupar diferentes espaços.
A Curiosaidade atende crianças, adolescentes e adultos e trabalha com diferentes metodologias, sempre a partir das características individuais. O objetivo é que os resultados tenham impacto concreto na vida fora do espaço.
“Queremos que as pessoas que passam pela Curiosaidade tenham uma vida melhor fora daqui, que consigam participar mais da escola, aprender, comunicar suas necessidades, desenvolver autonomia e estabelecer relações mais positivas.”
A curiosidade é o conceito que orienta o trabalho. Segundo Franciane, o interesse pelo mundo e pelas pessoas amplia as possibilidades de aprendizado e desenvolvimento.
“Não busque uma cura para a pessoa que ele é. Busque oportunidades para que ele se desenvolva, participe do mundo e construa uma vida com autonomia, dignidade e pertencimento”, completa.
Mais informações em https://www.instagram.com/curiosa.idade/