Conversa de bar

Foi nesse bar, bem numa dessas cadeiras cobertas pela sombra agradável de uma árvore que dona Clara não soube dizer qual era, que seu Alcindo abriu seu coração como se fosse um poço até aqui de magoa.

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Contou sobre Alagoas, onde nasceu, de goias, onde morou, e de Pilar (interior da Bahia), o melhor lugar do mundo onde mora há 40 anos. “Qualquer lugar é bom, o que importa é a amizade”.

Dono de uma capotaria, me disse que faz o que se possa imaginar em termos de sofá. Lembrou uma história da filha de um famoso que casou com um taxista, com o intuito de argumentar que o dinheiro não importa. Pesquisei depois, mas não encontrei nada a respeito. Talvez ele tenha confundido os nomes ou eu entendido errado.

Queria falar mais coisas. Dona Clara não deixou.  Ele pediu  mais uma dose de Pitu, mas não teve jeito. “Já tomou demais. Chega. E para de incomodar o rapaz. Ele não quer saber de sua vida”. A dona do bar esbravejou, olhou pra mim como se seu Alcindo não tivesse vendo e confessou, como se não fosse possível notar: “Não tenho paciência”.

Seu Alcindo, contrariado, decidiu  ir embora, e apertou a minha mão como despedida. Decidi também seguir. Disse até logo à dona Clara, que me deu um copo cheio de amendoim que ela recém tinha torrado.

* O relato é real, os nomes foram trocados

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