Com excelentes shows, protestos e o suingue de Jorge Ben, Coolritiba se consolida como grande festival

A terceira edição do festival Coolritiba aconteceu na sexta-feira e no sábado e reuniu mais de 16 mil espectadores. Leia matéria, veja fotos e confira muitos vídeos.

Fotos Eduardo Matysiak

Mais difícil que um festival alcançar respeito, é ele se manter relevante. E o Coolritiba conseguiu as duas coisas no último final de semana, firmando-se como uma importante manifestação da música na capital paranaense.

Mais uma vez o festival proporcionou shows de alto nível. E com três boas edições realizadas, o Coolritiba já faz parte do calendário cultural da capital, capaz de atrair público de diferentes cidades e Estados.

Entre escolhas mais ousadas e outra conservadoras, o festival tem vencido desconfianças. Na segunda edição, quando um nome novo da música brasileira foi escolhido como uma principais atrações, o BaianaSystem, houve quem duvidasse. Pois o Baiana fez um dos shows mais estremecedores que se teve notícia em solo paranaense. Dessa vez, quando um artista já oitentão foi o escolhido, novamente a dúvida: mas ele dá conta?
Ele deu.

Jorge Ben, o palco é seu!

Jorge Ben mostrou em Curitiba por que é um astro de primeira grandeza da música brasileira. O enorme palco do Coolritiba se mostrou o merecido lugar de Jorge Ben que, com seus 80 anos e uma longeva carreira, ficou à vontade para desfilar um festival de ritmos na Pedreira Paulo Leminski: rock, samba, blues, jazz, soul, funk. Isso é Jorge Ben.

Impressionante o vigor desse senhor de 80 anos, que abriu sua máquina de hits noite adentro e viu o tempo se tornar escasso para o tamanho de sua obra.

“3 minutos. 3 minutos. O cartaz tá avisando que faltam 3 minutos. Agora que estava esquentando!”, bradou ao microfone contra a organização.

Uma pena saber que tinha muito mais Jorge Ben por vir, mas que isso não foi permitido. Mas nesse caso deve ser feita a ressalva: o Coolritiba manteve em boa parte a pontualidade dos shows, até porque os eventos na Pedreira tem hora para acabar, sob o risco de multas.

Um parenteses chamado ‘Otto

Jorge Ben começou logo depois do fim do show de Otto. O cantor pernambucano se apresentou no Palco Arnica, onde mostrou todo seu suingue e inspiração em estado puro. Ele cantou, dançou, tirou a camiseta, jogou mais de uma garrafa de água sobre a cabeça, ficou molhado, discursou, lembrou Leminski (“ele abriu a porta para todos nós”), aclamou a Curitiba pensante, saudou Fidel Castro antes de iniciar sua música “Cuba” e terminou com uma frase: “Boa noite, presidente Lula”. Boa parte do público respondeu cantando em coro “Lula Livre”. Minutos antes, em entrevista ao Revérbero, Otto lembrou que é a segunda vez que toca em Curitiba este ano (a primeira foi na Feira de Agroecologia) e também saudou a Curitiba pensante.

O ex-presidente, aliás, foi lembrando em outros momentos do festival. Antes, já tinha ganhado Boa tarde, da banda Letrux. O atual presidente Jair Bolsonaro também foi mencionado, mas digamos que não foram propriamente homenagens.

Voltemos ao Jorge

Quando terminou Otto, uma correria só para chegar até o palco principal, onde Jorge Ben terminava sua primeira canção.

Talvez porque o show de Otto tenha sido intenso e porque o palco Arnica permite um contato mais íntimo com o artista, mas o show de Jorge Ben começou estranho. As três primeiras músicas estavam com um reverb pesadíssimo. Eu suspeitei que veria um dos piores shows de minha vida. Que seria um fiasco. Que o reverb era truque daqueles velhos para camuflar a voz fraca do cantor.

Não sei se era intencional considerando a característica das músicas – pois o reverb acentuado voltaria a ser ouvido em um momento ou outro no decorrer do show – ou se foi falha de equalização. Só sei que não me agradou.

Ainda bem, a equalização foi corrigida e se pôde ouvir Jorge Ben de verdade. É claro, ele tem 80 anos. Naturalmente, não tem mais o mesmo fôlego. Mas ainda tem muita energia e suingue, e uma banda talentosissíma que o acompanha – a Banda do Zé Pretinho. Musicalmente, um showzaço, à altura da carreira do músico, e que só um artista que se preocupa muito com a qualidade do que entrega poderia oferecer.

Sabemos que Jorge Ben não é marcado por músicas politizadas e que algumas canções, se formos pensar no atual momento político, parecem meio fora de contexto. Mas teve manifestação política e social de bom tamanho no festival. A Jorge o que é de Jorge. E o que ele tem para oferecer é sua música irreverente e ainda inovadora.

O que mais teve no Festival

Silva entrou no palco às 15h20 e fez um belo show. Delicado, como são suas músicas e sua maneira de cantar. O público gostou e cantou junto, principalmente Fica tudo bem e a Cor é Rosa.

Criolo iniciou por volta das 18h30 e, pela segunda vez no Coolritiba, fez um show intenso. Era um dos principais nomes da noite. Muita gente veio de longe sobretudo para vê-lo. E ele foi Criolo mais uma vez. Com suas danças estranhas, seu jeitão de raper no mínimo diferente e suas canções recheadas de críticas sociais. No show, as críticas saíram apenas das letras. Por mais de uma vez, ele defendeu a educação e criticou o armamento da população. Disse que “não tá doce para ninguém. E que “o ódio não constrói. Só o amor constrói”. Ele ainda pediu para s pessoas extravasarem o amor que tem dentro delas.

Alem dos shows dos medalhões, no Palco Arnica bandas com menos tempo de estrada botaram para quebrar, caso de Machet Bomb, Mulamba, Letrux e Far From Alasca. Passaram por lá, ainda, Tiê.

Teve também, mas não menos importante, Los Hermanos no primeiro dia. Já falamos a respeito. Leia aqui. Mas detalhe adicional: o Los Hermanos, embora dentro do Festival Coolritiba, teve produção própria de seu show, com palco e telões personalizados. A marca Coolritiba também não esteve presente no palco no primeiro dia.

Pontos altos

  • A Pedreira, sempre linda um dos mais belos locais para show.
  • Os shows de Jorge Ben, Otto, Los Hermanos, Silva e Criolo;
  • Produção, som, luzes, estrutura. Tudo de primeira no Coolritiba.
  • Inovações: teve tirolesa e mais aerobike.
  • Não sei se pode ser propriamente um ponto alto, mas ao menos a cerveja não subiu. No entanto ela continuou sendo cara: R$ 10.
  • A banda curitibana Machete Bomb, que fez um show de vários protestos, entre eles o “Salve a Ilha do Mel”.

Pontos baixos

  • Diferente das primeiras edições, não houve participações especiais. No ano passado, Sandy cantou com Anavitória. Na primeira edição, a Banda Mais Bonita da Cidade recebeu Paulo Miklos.
  • O tráfego entre o Palco Arnica e o palco principal continuou sendo um problema. Mas parece que quanto a isso não tem muito o que fazer, pois a organização fica refém dos limites geográficos e topográficos da Pedreira.
  • Vácuo de tempo entre um nome mais, digamos, de peso e outro. Talvez a insistência na fórmula de querer agradar muitos públicos revele que, dessa maneira, não se agrada ninguém. Mas nessa edição, passou.

Veja vídeos:

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