Em temporada especial, Dexter resgata boa performance, mas final causa controvérsias

Aconteceu o que muitos queriam: a continuidade da série Dexter, após o final nebuloso, xoxo e incoerente da última temporada padrão, lá no distante ano de 2013.

Pois bem, a série voltou em temporada especial, ganhou o complemento New Blood no nome, e agora retrata Dexter após o personagem sobreviver ao incêndio do último episódio da oitava temporada, recomeçando a vida em terras gélidas e com outra identidade.

Foto: Divulação

A temporada especial resgata o que Dexter teve de melhor, antes de cair em decadência principalmente nas três últimas temporadas: arcos bem amarrados, suspense, ação, reviravoltas e a mente sombria de Dexter afiada como sempre. E isso sem forçar a barra ou construir narrativas incoerentes, como havia se tornado comum.

A trama ganha força com a entrada em cena do filho de Dexter, o jovem Harrison. Anos após ser abandonado, ele decide procurar pelo pai. A tentativa de reestabelecimento da relação, com seus dilemas e obstáculos, é um dos pontos altos da temporada. E será que Harrison carrega o passageiro sombrio do progenitor?

Temos aqui um excelente personagem. Harrison é complexo e tem várias camadas, retratadas com muita dignidade pelo ator Jack Alcott. É simpático, mas tem traumas. É bonito, mas estranho. É por vezes comunicativo, porém focado. Sabe ser amoroso, mas também terrível.

Sem dúvidas, Harrison é o melhor acontecimento dessa temporada especial e o principal motivo de ela ter dado certo.

Final

Agora vamos ao final, tão odiado por fãs e, no entanto, aclamado por parte da crítica. A morte de Dexter não foi bem dirimida pelos fãs. Mas não havia outro caminho.

Dexter teve o que mereceu e foi vítima de seu próprio código de conduta, levado à risca, para infelicidade dele, pelo próprio filho.

Deu para você, Dexter, e confesso que eu já estava me cansando. Missão cumprida nas telas. Há momentos para fins e às vezes eles precisam ser drásticos. Era o caso.

Continuidade?

Mas será mesmo o fim? Para Dexter Morgan, fatalmente foi. Mas o universo Dexter pode continuar, mesmo com o personagem principal morto. É possível através spin offs ou uma continuação retratando o jovem Harisson, que é um personagem e tanto, com uma grande vantagem: de certa forma, vimos Harisson nascer, crescer e se tornar adulto, privilégio que não tivemos de maneira tão imersiva em relação a Dexter, o qual já conhecemos adulto e serial killer. Nós sabemos quase tudo sobre o Harrison. Ou nem tudo. O próprio período em que ele ficou afastado, praticamente sua adolescência toda, poderia render uma temporada paralela. O desafio seria fazer a história virar e ir além do matar e ser caçado. Mas Dexter entre altos e baixos teve 9 temporadas e uma audiência fascinante.

Valeu, Dexter!

Avaliação

Dexter New Blood

Nota: 8

P.S. Esse texto ficou semanas nos rascunhos. Foi ressuscitado, ainda que inevitavelmente envelhecido.

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