Novos áudios elevam suspeita de corrupção na Sanepar, afirma Oposição

Deputado Arilson Chiorato (PT), Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná - Foto: Orlando Kissner/Alep

A divulgação de novas gravações relacionadas à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) adicionou elementos considerados mais graves a um caso que vem se intensificando nas últimas semanas. Os áudios, que voltaram a circular nesta semana, trazem menções a cobranças por cargos, expectativas de retorno político e falas de tom ameaçador. Para a Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o material amplia a necessidade de investigação e de posicionamento público do governador Ratinho Jr. (PSD).

Segundo o líder da Bancada de Oposição, deputado Arilson Chiorato (PT), o acúmulo de novos conteúdos torna insustentável o silêncio do governo. “Os áudios continuam aparecendo, o teor é cada vez mais grave e, até agora, não houve qualquer manifestação do governador. A sociedade precisa de explicações”, afirmou.

O material mais recente, divulgado na noite de terça-feira (6), apresenta falas atribuídas a uma pessoa ligada ao ambiente político-administrativo do Estado. No áudio, há referências a gastos realizados em campanhas eleitorais passadas, acompanhadas de insatisfação pela ausência de apoio político posterior.

As declarações sugerem que esse apoio deveria ter resultado em contrapartidas institucionais, como nomeações ou ocupação de cargos, inclusive com menção à possibilidade de atuação como assessor parlamentar. Em outro trecho, o interlocutor relata perda de espaço político após deixar funções públicas.

Na avaliação de Arilson, o conteúdo indica uma relação que precisa ser esclarecida. “Há uma percepção de troca política que não pode ser naturalizada. Cabe às autoridades apurar se isso existiu e em que condições”, disse.

Tom ameaçador aumenta preocupação

Outro aspecto destacado pela Oposição é o tom adotado em parte das falas, com referências a possíveis prejuízos políticos a autoridades e à existência de supostas provas que poderiam gerar consequências institucionais, como a perda de mandato.

Para Arilson, esse elemento eleva o grau de gravidade do caso. “Quando surgem declarações com caráter intimidatório, a apuração deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação”, afirmou.

O deputado ressaltou que não há, até o momento, conclusões definitivas. “Não fazemos acusações. Defendemos investigação técnica, jurídica e transparente, com respeito ao devido processo legal”, declarou.

Sequência de divulgações

Desde o período que antecedeu o Natal, diferentes áudios vêm sendo tornados públicos, cada um acrescentando novos elementos ao caso envolvendo a Sanepar. As primeiras gravações levantaram suspeitas de irregularidades eleitorais e possível uso indevido da estrutura da estatal.

Na sequência, novos materiais passaram a detalhar valores, contextos políticos e disputas internas, além de relatos que indicam pressão por cargos e manutenção em funções estratégicas. Os áudios mais recentes acrescentam falas de tom mais agressivo, ampliando a repercussão política.

“Não estamos diante de um fato isolado. É um conjunto de gravações divulgadas ao longo de semanas, com uma escalada de gravidade”, avaliou Arilson.

Silêncio do governo

Apesar da sucessão de novos áudios e da ampliação do debate público, o governador Ratinho Jr. ainda não se pronunciou sobre o conteúdo mais recente.

“Enquanto novos áudios vêm à tona, o governo permanece em silêncio. O governador precisa explicar o que está acontecendo na Sanepar”, afirmou o líder da Oposição.

Arilson informou que as gravações mais recentes serão encaminhadas a órgãos de controle e investigação, como a Polícia Federal, o Ministério Público, a Procuradoria Regional Eleitoral e o Tribunal de Contas do Estado, para análise técnica e jurídica.

“Nosso papel é institucional. Vamos adotar todas as providências cabíveis e acompanhar os desdobramentos. Transparência é o mínimo que se espera”, disse.

Providências já adotadas

Na semana do Natal, após a divulgação dos primeiros áudios, os deputados Arilson Chiorato e Requião Filho (PDT) protocolaram representações junto à Polícia Federal, ao Ministério Público do Paraná, à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Tribunal de Contas do Estado e à Comissão de Valores Mobiliários. Os pedidos solicitam a abertura de procedimentos para apurar possíveis irregularidades eleitorais e administrativas.

Paralelamente, os parlamentares encaminharam requerimento de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação, solicitando dados sobre contratos, nomeações, exonerações e eventuais medidas adotadas pelo governo estadual diante das denúncias envolvendo a Sanepar.

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