Teia de negócios liga Caso Master, Tanure, resorts com Ratinho como sócio e privatização da Copel Telecom

As investigações sobre irregularidades envolvendo o Banco Master avançaram para além do sistema financeiro e passaram a expor conexões com empreendimentos turísticos, fundos de investimento, empresários influentes e decisões estratégicas tomadas no Paraná durante o governo Ratinho Júnior (PSD).

Reportagem do UOL, com base em apuração do Estadão, revelou que irmãos do ministro do STF Dias Toffoli foram sócios do apresentador Ratinho — pai do atual governador — em um empreendimento imobiliário da rede de resorts Tayayá, no Paraná. Segundo o jornal, a participação ocorreu por meio da empresa Maridt S/A, que também esteve envolvida em outro resort da mesma rede.

A investigação do Caso Master, conduzida pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, mira um conjunto de estruturas financeiras associadas ao banco, incluindo fundos e agentes que teriam irrigado negócios fora do sistema bancário tradicional. Entre os nomes que surgem nesse ecossistema está o empresário Nelson Tanure, que foi alvo da Polícia Federal e teve o celular apreendido no Aeroporto do Galeão.

Tanure é o controlador do fundo Bordeaux Participações, responsável pela compra da Copel Telecom em 2020, durante o processo de privatização conduzido pelo governo Ratinho Júnior. A estatal, considerada estratégica e lucrativa, foi vendida por R$ 2,3 bilhões e posteriormente rebatizada como Ligga Telecom. De acordo com reportagens, o Banco Master foi um dos principais financiadores do fundo que viabilizou a aquisição.

Para a oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, o avanço das investigações sobre Tanure e o Banco Master lança suspeitas sobre o processo de privatização. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) afirmou que há pontos ainda não esclarecidos sobre a operação e declarou que a relação entre o governo estadual e agentes investigados já havia sido alvo de alertas públicos anteriores.

O deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) também questionou publicamente a presença de Tanure em Curitiba no contexto das investigações, destacando que o empresário foi o comprador de um ativo estratégico do Estado com financiamento ligado ao banco agora sob escrutínio federal.

Paralelamente, o Blog do Esmael reportou que empreendimentos turísticos no Norte Pioneiro do Paraná, incluindo resorts ligados aos irmãos Ferro e ao apresentador Ratinho, também teriam conexões com estruturas financeiras que orbitam o universo do Banco Master e da gestora Reag, liquidada recentemente pelo Banco Central por “graves violações” às normas do sistema financeiro.

Segundo a publicação, Requião Filho (PDT) anunciou iniciativas para investigar possíveis relações entre esses empreendimentos, fundos sob investigação e a circulação de recursos financeiros cuja origem e lastro agora são questionados pelas autoridades.

Embora os casos envolvam atores distintos — sistema bancário, setor imobiliário, mídia, fundos de investimento e privatizações —, os episódios compartilham um ponto comum: a sobreposição entre dinheiro público, ativos estratégicos do Estado e agentes que hoje aparecem no centro de investigações federais.

No Paraná, a venda da Copel Telecom sob a gestão Ratinho Júnior passa a ser reavaliada sob um novo contexto político e institucional, à medida que avançam as apurações sobre o Banco Master, Nelson Tanure e redes empresariais associadas.

Até o momento, não há decisão judicial que atribua irregularidades diretas ao governador, mas a convergência entre privatizações, investidores investigados, financiamento via banco sob intervenção e relações empresariais próximas ao núcleo político do Estado reforça a pressão por transparência, auditoria e esclarecimentos públicos.

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