Gleisi Hoffmann participou neste sábado (14), em Curitiba, de um encontro com movimentos sociais, lideranças regionais e militância política em preparação ao processo eleitoral de 2026. O evento foi realizado no Sindiquímica Paraná e reuniu também Requião Filho, deputados federais, estaduais e vereadores.
Durante a atividade, Gleisi afirmou que a disputa eleitoral exigirá mobilização política permanente e presença direta nos territórios. Em sua fala, a ministra também fez autocrítica sobre a comunicação do campo progressista desde o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao governo.
“Política é disputa constante, não basta ganhar uma eleição, você tem que disputar ideias e narrativas o tempo inteiro para mostrar o que está acontecendo”, afirmou.
Ela também avaliou que o campo progressista deveria ter feito, desde o início do atual governo, um enfrentamento mais contundente sobre a situação encontrada após a gestão anterior.
“Acho que nós tivemos um problema: nós não fizemos a disputa política desde o início como tínhamos que fazer para mostrar o Estado que nós pegamos, denunciar de maneira mais contundente a quebradeira que colocou o governo Bolsonaro nos programas sociais e nos órgãos públicos”, disse.
Disputa eleitoral e enfrentamento à extrema direita
Pré-candidata ao Senado, Gleisi afirmou que pretende disputar a eleição com foco na defesa do projeto político liderado por Lula e no enfrentamento ao avanço da extrema direita.
“Vamos voltar ao Senado da República para enfrentar a extrema direita que está lá. Essa é uma caminhada que começa agora, uma largada para uma disputa intensa”, declarou.
Em outro momento do discurso, reforçou o sentido histórico da disputa:
“Não temos o direito, do ponto de vista histórico, de deixar a extrema direita ganhar novamente no Brasil.”
A ministra também defendeu que a mobilização política aconteça em múltiplos espaços de disputa social e digital.
“Vamos ter que fazer uma disputa intensa agora, no celular, nas ruas, nas vilas, falando com o povo para dizer que não dá para voltar atrás.”
Trabalho, economia popular e direitos sociais
Ao abordar economia e cotidiano da população, Gleisi afirmou que o país avançou desde o início do atual governo, mas ainda convive com dificuldades concretas na renda das famílias.
“Melhoramos muito com o governo Lula, mas sabemos que ainda há problemas na economia popular. Muitas famílias estão endividadas.”
Ela citou ainda preocupação com impactos sociais de apostas digitais e jogos online.
“Precisamos enfrentar situações que estão afetando a renda das pessoas, como os cassinos virtuais e jogos online que acabam prejudicando as famílias.”
No debate sobre trabalho, a ministra voltou a defender mudanças na jornada laboral e criticou a escala 6×1.
“Não é possível trabalhar seis dias e descansar apenas um. Isso afeta principalmente as mulheres, que têm dupla ou até tripla jornada.”
Também mencionou a necessidade de regulamentação para trabalhadores de plataformas digitais.
“Precisamos ajudar os companheiros que trabalham em plataformas a não serem explorados e a terem direitos mínimos.”
Desenvolvimento e investimentos públicos
Gleisi defendeu um modelo de crescimento com presença do Estado e ampliação de investimentos públicos.
“Precisamos de um desenvolvimento estruturado e inclusivo, que não tenha apenas o fiscalismo das contas públicas como norteador.”
Ela também destacou ações recentes do governo federal no Paraná, especialmente na saúde pública.
“O governo do presidente Lula tem feito muito, inclusive aqui no Paraná. Entregamos ambulâncias do SAMU, unidades odontológicas móveis e equipamentos para unidades básicas de saúde.”
Ao final, reforçou o papel da militância e da organização política para o próximo ciclo eleitoral.
“É com esse compromisso que vamos seguir caminhando juntos, para continuar avançando e construir um Brasil mais justo.”