O governador Ratinho Junior anunciou nesta segunda-feira que permanecerá no comando do Paraná até o fim do mandato e deixará de participar da disputa interna do PSD em torno de uma candidatura presidencial.
A decisão foi formalizada em comunicado à imprensa, no qual Ratinho Jr. afirma que optou por concluir o mandato após reflexão com a família e sustenta que deve manter o compromisso firmado com os paranaenses. Segundo a nota, a decisão já foi comunicada ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
No texto, o governador afirma que seguirá à disposição do PSD para contribuir com o debate nacional, mas fora da disputa presidencial. Também registra que, após dezembro, pretende retornar à iniciativa privada e assumir a presidência do grupo de comunicação fundado por seu pai, o apresentador Ratinho.
A desistência ocorre num momento em que seu nome vinha sendo projetado nacionalmente pelo partido, mas também cercado por episódios recentes de desgaste político.
Entre eles, teve forte repercussão a declaração em que Ratinho Jr. se posicionou contra o fim da escala 6×1 e defendeu que a jornada de trabalho seja definida por hora trabalhada, com possibilidade de até 60 horas semanais. A fala foi feita durante debate promovido pelo Canal Livre, da Band, ao lado dos governadores Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, ocasião em que classificou a proposta de redução da jornada como eleitoreira.
Nos últimos dias, também se intensificaram nas redes sociais ataques de bolsonaristas dirigidos ao governador, num ambiente de disputa crescente dentro do campo da direita.
Outro episódio de repercussão nacional envolveu falas do apresentador Ratinho contra a deputada federal Erika Hilton, que geraram reação pública e ampliaram a associação do entorno familiar do governador a controvérsias políticas num momento de maior exposição nacional.
No campo econômico e empresarial, também repercutiram recentemente debates envolvendo o Banco Master e o empresário Nelson Tanure, citado em depoimento no Senado como figura ligada ao banco e já conhecido no Paraná por ter adquirido a antiga Copel Telecom, privatizada em 2020 e posteriormente transformada em Ligga Telecom. O tema voltou ao debate após novas menções ao papel de Tanure em operações empresariais de grande impacto e questionamentos públicos sobre conexões políticas em torno desses processos.
Também seguiu em repercussão o caso do Tayayá Resort, empreendimento com participação da família Massa, após a divulgação de que o Instituto Água e Terra autorizou licença ambiental para a construção em área de preservação permanente no noroeste do estado. O caso levantou questionamentos sobre conflito de interesse e atuação de órgão ambiental subordinado ao governo estadual