Prefeito de Curitiba tenta invalidar movimento grevista e amplia tensão com magistério

No dia em que Curitiba celebrou seus 333 anos, neste domingo, 29 de março, o magistério municipal ocupou as ruas para lembrar que, para os servidores públicos da cidade, há pouco a comemorar – tanto é que há uma greve marcada para iniciar em 8 de abril. Em mobilização organizada pelo SISMMAC (Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba), centenas de professoras e professores se reuniram no Centro para cobrar valorização profissional, avanço na carreira, correção de distorções salariais e respostas concretas da prefeitura para uma pauta que se arrasta há anos.

O ato, realizado enquanto a gestão municipal concentrava a agenda oficial nas comemorações de aniversário da capital, evidenciou um contraste político: de um lado, o discurso institucional de cidade moderna e eficiente; de outro, profissionais da educação denunciando escolas sobrecarregadas, falta de reconhecimento profissional, aposentadorias impactadas por descontos e casos de docentes que acumulam mais de uma década sem progressão funcional.

Ao ser abordado durante a manifestação, o prefeito Eduardo Pimentel reagiu tentando desqualificar o movimento. Disse que se trata de “greve política” e afirmou que o sindicato não representa a categoria — declaração que ampliou o desgaste com o magistério e provocou reação imediata do sindicato, que acusou a prefeitura de tentar minimizar o descontentamento nas escolas e deslegitimar uma mobilização construída pela própria base da categoria.

Com início de greve marcado para 8 de abril, após aprovação com ampla adesão entre filiados, a categoria entra agora em uma nova etapa de mobilização. A expectativa é de forte participação e de que Curitiba assista a um dos maiores movimentos recentes do funcionalismo municipal, impulsionado pelo acúmulo de reivindicações ainda sem resposta efetiva da prefeitura. Entre os argumentos rebatidos pelo sindicato está a afirmação de que se trata de uma mobilização motivada por “ano político” — leitura contestada pela categoria diante da ausência de eleições municipais em 2026 e do fato de que, segundo o sindicato, a maior parte dos compromissos assumidos com o magistério durante a campanha ainda segue sem cumprimento.

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