‘Curitiba Inteligente’ paga apenas R$ 2 mil para professora com pós-doutorado

Na Câmara Municipal, presidenta do Sismmac, Diana Abreu, esclarece motivos da greve. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Na Tribuna Livre da Câmara Municipal, presidente do Sismmac critica falta de investimentos na educação municipal 

É certo uma ‘Cidade Inteligente’ pagar apenas R$ 2 mil para uma professora com pós-doutorado em educação? Esse é um dos questionamentos da presidenta do Sismmac, Diana Abreu, durante sua fala na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Curitiba. Ela usou o espaço para esclarecer porque o magistério aprovou greve geral a partir do dia 8 de abril. Segundo ela, o baixo salário é reflexo de 10 anos de crescimento congelado e falta de investimentos da gestão de Eduardo Pimentel (PSD) nos profissionais. Durante o debate, os vereadores demonstraram preocupação com o adoecimento das professoras, a falta de estrutura de equipamentos e a necessidade de contratar profissionais. 

A presidenta Diana Abreu listou as pautas reivindicadas pela categoria e destacou que a Prefeitura de Curitiba tem dinheiro e capacidade orçamentária para valorizar o magistério. Só falta, argumenta, o professor e a professora caberem no orçamento. Para ela, falta vontade política do prefeito Eduardo Pimentel e do secretário de Finanças, Vitor Puppi.

“Decidimos entrar em greve justamente para estarmos no orçamento. Pimentel destinou R$ 20 milhões apenas para 108 novos servidores auditores fiscais. A cidade tem orçamento e precisa aplicar na valorização da educação”.

Durante o uso da Tribuna Livre, a presidenta denunciou a situação de uma professora como reflexão da precarização dos servidores públicos. A cidade, listou, teve superávit de R$ 2,7 bilhões, tem sobras anuais orçamentárias de 1,1 bilhão. O Limite Prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal é de 51%, mas mantém esse limite em 39%, segundos dados do DIEESE. 

“Uma professora entrou na prefeitura em 2014. Está há 12 anos na rede e nunca cresceu na carreira. Ela recebe R$ 2068 e não tem nenhum consignado. Essa profissional, como tantas outras, é especialista em educação, é mestre em educação, é doutora em educação. Tem dois pós-doutorados e está ganhando apenas dois mil reais. Isso é uma vergonha para Curitiba que diz ser uma cidade inteligente”, revela Diana Abreu. 

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Contra cheque de professora com doutorado da rede municipal de Curitiba mostra baixo salário

Adoecimento e falta de profissionais

A presidenta ainda revelou que, segundo o Portal da Transparência, o município precisa contratar 1,7 mil professoras para as escolas. Também que as crianças autistas estão sem profissionais de apoio. “As turmas superlotadas adoecem, as condições de trabalho humilham uma categoria que está há 10 anos sem nenhum tipo de valorização. É humilhante a ‘cidade inteligente’ não garantir vale transporte universal”, contextualiza. 

Curitiba, complementa, tinha tradição, antes de Greca Pimentel, de investir mais de 25% na educação. “Agora, a cidade investe apenas o mínimo constitucional, sendo que os números têm sido questionados”.

O espaço também foi usado para cobrar os vereadores. “Eu queria que fosse ofertada na Câmara Municipal durante uma semana o lanche que é distribuído nas escolas, queria que os vereadores estivessem em sala de aula superlotada com professoras com até 38 estudantes, sendo 8 inclusões e sem apoio”. 

A greve do magistério foi aprovada para o dia 8 de abril tendo como pautas prioritárias o combate ao sucateamento da educação, a reversão dos impactos do Pacotaço de 2017 e congelou carreiras, tempo de serviço e aumentou descontos e pela melhoria das condições de trabalho. 

Questionamentos

A Professora Ângela (PSOL) questionou o orçamento da Prefeitura de Curitiba e os valores destinados para a educação e para os profissionais. “É impossível debater a educação no município sem enfrentar um dado que o sindicato denuncia, que é o congelamento da carreira há uma década”. 

Já o vereador Angelo Vanhoni (PT) destacou a importância de avançar com relação às três reivindicações principais da categoria: Descongelamento da progressão de carreira feito durante a pandemia, o desconto de 14% dos aposentados da prefeitura e o impacto do piso nacional da educação. 

Por sua vez, a vereadora Giorgia Prates (PT) abordou a sobrecarga de trabalho, o adoecimento dos professores e a falta de estrutura dos equipamentos de educação. “Há anos estamos pedindo que os profissionais voltem a ter crescimento”, sublinhou. 

O vereador Tico Kuzma (PSD), presidente da Câmara Municipal, enfatizou que tem se reunido com o sindicato e negociado as pautas. “O prefeito afirmou que os compromissos do plano de governo serão cumpridos”, disse. O sindicato lista que dos 20 compromissos, apenas um foi atendido. Já a vereadora Laís Leão (PDT) perguntou sobre a desvalorização das professoras que têm doutorado, mas não têm valorização salarial. “A cidade inteligente só é possível se a gente tiver uma educação adequada”. 

Ainda nos questionamentos, a vereadora Vanda de Assis (PT) disse que apoia a luta e assina a carta de apoio ao magistério da educação. “Lutaremos contra desmonte da educação, nem militarização”, destacou. 

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