Entidades sindicais listam promessas não cumpridas na gestão Eduardo Pimentel (PSD)
“Eduardo Pimentel prometeu rever a carreira e a política de remuneração do magistério. Falou em ampliar as possibilidades de crescimento, melhorar os salários e valorizar quem trabalha nas escolas da rede municipal. Depois da eleição, o que apareceu foi outra realidade”. Esse é um dos argumentos do magistério municipal (Sismmac) que inicia greve nesta quarta-feira (8). A categoria, em assembleia virtual com 2,5 mil profissionais, rejeitou com 97% a proposta da Prefeitura de Curitiba apresentada no feriado de Páscoa e reforçou a lista de 20 promessas que não foram atendidas pela atual gestão. A paralisação, que conta com a adesão dos servidores municipais da base do Sismuc que também listam pautas que não foram atendidas, tem concentração marcada para às 8h30, na Praça 19 de Dezembro (próximo ao Shopping Mueller).
Segundo o Sismmac, a única promessa cumprida foi a criação da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal. “A medida apenas corrigiu uma situação absurda que existia antes, quando temas da carreira e dos direitos dos servidores acabavam sendo tratados com a área de finanças da Prefeitura, como se o funcionalismo fosse apenas um gasto da cidade”, registra-se.
Outras 19 promessas não avançaram na atual gestão, que é continuidade do governo Rafael Greca. Entre as demandas estão “o funil no crescimento da carreira, Salários sem valorização, Auxílio-alimentação esquecido, Inclusão sem estrutura é exclusão com outro nome e confisco das aposentadorias.
“Com professoras e professores sem crescer na carreira há mais de uma década, com mestres, doutores e pós-doutores recebendo menos do que estagiários da própria Prefeitura, escolas com salas superlotadas, educação inclusiva sem profissionais de apoio e milhares de docentes sem auxílio-alimentação, nossa categoria foi categórica: a proposta da Prefeitura é insuficiente. É impossível que a gestão Pimentel continue ignorando isso, A valorização do magistério cabe no orçamento. A Prefeitura sabe disso, mas finge ignorar”, diz a nota da entidade após o encerramento da Assembleia.
::. Confira a lista de promessas não cumpridas
Já o Sismuc enfatiza que o objetivo central do movimento não é a interrupção dos serviços, mas a abertura de um canal de diálogo que garanta avanços reais nas pautas. “A greve pode ser evitada, mas a Prefeitura deve apresentar propostas que atendam minimamente às necessidades represadas da categoria. O que exigimos é negociação imediata com o prefeito Eduardo Pimentel”, afirma Juliana Mildemberg, coordenadora do sindicato.
Valorização e direitos, carreira e concurso, cumprimento da hora-atividade de 33%, conforme determina na legislação, implementação do piso nacional do magistério no vencimento base para toda tabela, implementação de programas contra o assédio moral/sexual; melhoria das condições de trabalho,inclusive na assistência social e segurança nas unidades são algumas pautas listadas pela categoria.

Vereadoras apoiam a paralisação
A greve prevista para o dia 8 de abril é justa, na avaliação da vereadora Camilla Gonda (PSB). Ela comenta que a gestão de Eduardo Pimentel cumpriu apenas uma das 20 promessas feitas durante a campanha eleitoral. “É importante contrapor ao prefeito Eduardo Pimentel de que é uma greve política. Pelo contrário, é uma necessidade dos professores que se encontram em locais e estruturas precarizadas, com salários defasados e total esgotamento mental dentro da sala de aula. Isso dificulta a vida da comunidade escolar”, destaca a vereadora.
Gonda ainda resgatou denúncia feita pelo Sismmac de uma professora com doutorado recebendo apenas R$ 2 mil líquidos. “Não dá para achar que receber dois mil é um valor justo para quem tem formação. É um vencimento discrepante com a realidade”, ressaltou.
A vereadora Vanda de Assis (PT) faz coro de que a “negociação precisa acontecer com abertura real por parte da gestão”. Ela argumenta que são a mobilização e a pressão social que fazem com que o poder público se disponha a ouvir. “A greve é justa. Greve é sempre o último recurso. Quando os servidores chegam a esse ponto, é porque houve tentativa de diálogo, mas encontraram portas fechadas e direitos negados”, comenta.