A luta dos servidores públicos e o próprio movimento sindical tiveram uma vitória importante nesta quarta-feira (8), em Curitiba. A greve iniciada pelo Sismmac, sindicato que representa o magistério municipal, começou e terminou no mesmo dia após a prefeitura recuar em pontos centrais da pauta apresentada pela categoria, permitindo o encerramento da paralisação.
O resultado não veio por acaso. Houve mobilização construída ao longo de semanas, presença organizada da categoria e uma condução sindical que soube combinar firmeza, diálogo e capacidade de pressão.
A estrutura montada para o ato em frente à prefeitura expressou esse preparo: carro de som, tendas, materiais visuais, apoio logístico e participação significativa de professoras e professores ao longo do dia.
A negociação produziu efeitos concretos: a prefeitura avançou no pagamento do vale-alimentação para parte dos servidores e ampliou o percentual de crescimento vertical para profissionais da educação, pontos que ajudaram a destravar o acordo ainda na noite de quarta-feira.
O desfecho também ocorreu apesar de duas estratégias adotadas pela prefeitura que não surtiram o efeito esperado: a tentativa de barrar a greve pela via judicial, repetindo um expediente recorrente de governos de direita diante de mobilizações sindicais, e o esforço de associar o movimento a interesses partidários, leitura que não encontrou correspondência na adesão concreta da categoria ao longo do dia.
Num período de maior restrição à ação sindical, com mudanças legais que reduziram instrumentos históricos de pressão e governos de direita frequentemente resistentes à negociação com servidores — como se vê hoje no Paraná e em Curitiba — o movimento mostrou que ainda há espaço para conquistas concretas.
Mais do que o desfecho imediato, o sucesso da greve desta quarta-feira reforça um princípio elementar: avanços dependem de mobilização, participação e organização coletiva.