O investidor e empresário Nelson Tanure é um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. A informação foi repercutida por parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná.
De acordo com a Polícia Federal, Tanure teve o celular apreendido no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, enquanto aguardava embarque para Curitiba. Segundo as informações divulgadas, ele entregou o aparelho e documentos sem resistência e foi liberado em seguida.
A operação cumpre 42 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e incluem medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
Investigação e contexto no Paraná
Segundo a Polícia Federal, a operação tem como objetivo apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais, relacionados à concessão de supostos créditos fictícios pelo Banco Master.
Nelson Tanure é conhecido no mercado financeiro brasileiro e consolidou sua presença no Paraná após o grupo empresarial que controla adquirir a Copel Telecom, empresa pública privatizada durante o governo do governador Ratinho Jr. (PSD).
Repercussão política
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente estadual do partido e líder da Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), comentou o caso em publicação nas redes sociais. Segundo o parlamentar, o fato de o comprador da Copel Telecom ser alvo da operação levanta questionamentos sobre o processo de privatização conduzido pelo governo estadual.
Em tom crítico, Arilson afirmou que o episódio representa um “timing perfeito” para questionar novas privatizações, fazendo referência ao Banco Master, alvo da investigação.
Também em manifestação pública, o deputado federal Tadeu Veneri (PT) declarou que, conforme apontado pela Polícia Federal, recursos desviados do Banco Master para fundos ligados à gestora Reag teriam como destinatárias finais empresas de fachada associadas a Nelson Tanure. A afirmação foi feita com base nas informações divulgadas no âmbito da operação.
Investigações em andamento
A Operação Compliance Zero segue em andamento e, até o momento, não há denúncia formal nem condenações relacionadas ao caso. As apurações buscam esclarecer o funcionamento do suposto esquema e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
Os citados ainda não se manifestaram publicamente sobre as declarações dos parlamentares.