A campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva começa a ganhar contornos nítidos: confronto político com os poderosos, defesa da soberania nacional e a promessa de deixar um legado estrutural para o País. A leitura é da revista CartaCapital, que dedica ampla reportagem à estratégia do presidente para 2026.
Segundo a publicação, Lula enxerga o próximo pleito como uma disputa de projeto civilizatório. De um lado, um governo que “tem lado”, enfrenta a concentração de renda e amplia direitos; de outro, forças econômicas e políticas alinhadas ao mercado financeiro e à extrema-direita global.
O “direito ao tempo” e o fim da escala 6×1
Um dos eixos centrais do discurso lulista para 2026 é a redução da jornada de trabalho. Em pronunciamento recente, Lula afirmou que “nenhum direito é mais urgente hoje do que o direito ao tempo”, defendendo explicitamente o fim da escala 6×1.
A proposta é tratada no Planalto como prioridade política e possível legado de governo. Lideranças do PT avaliam que a mudança pode ser feita por lei ordinária, sem necessidade de alterar a Constituição, o que tornaria o processo mais viável no Congresso. O líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou à CartaCapital que a ideia é pautar e votar o tema ainda em 2026.
Além de dialogar com o movimento sindical, a redução da jornada é vista como uma pauta capaz de mobilizar a juventude, segmento em que Lula enfrenta maior resistência nas pesquisas.
Sidônio, Gleisi e Lindbergh: o trio do combate político
A revista destaca o papel de um núcleo político-comunicacional que ajudou a reposicionar o governo em 2025 e deve ser central na campanha: o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira; a ministra Gleisi Hoffmann; e o deputado Lindbergh Farias.
Sidônio, que foi o marqueteiro da campanha vitoriosa de 2022, construiu a narrativa de um presidente que “peita o sistema”, especialmente durante o embate em torno da tributação dos super-ricos e da isenção do Imposto de Renda para salários de até 5 mil reais. Essa imagem, segundo a CartaCapital, será levada ao centro da disputa eleitoral.
Gleisi atua como articuladora política e ideológica do projeto, enquanto Lindbergh vocaliza no Congresso o discurso de enfrentamento à elite econômica — sintetizado na crítica à Faria Lima como o verdadeiro “sistema” a ser desafiado.
Eleição marcada pela soberania e pela política externa
Outro elemento-chave da estratégia de Lula para 2026 é o cenário internacional. A reportagem aponta que o chamado “tarifaço” anunciado por Donald Trump contra produtos brasileiros acabou fortalecendo a imagem do presidente, ao associá-lo à defesa da soberania nacional Revista Carta Capital-Ed 1396 •….
Avaliações internas do governo indicam que a eleição brasileira será uma das principais apostas da extrema-direita global em 2026, com risco de interferência externa por meio de big techs, fundações e campanhas de desinformação — alerta que consta, inclusive, em análises da Abin.
Nesse contexto, Lula pretende se apresentar como líder capaz de proteger a democracia brasileira e conter o avanço autoritário no continente.
Confronto como estratégia eleitoral
De acordo com a CartaCapital, o Planalto trabalha com a hipótese de que até derrotas no Congresso podem ser politicamente úteis, desde que sejam percebidas pelas ruas como posições justas e coerentes .
A aposta é clara: transformar o conflito com os poderosos em ativo eleitoral e consolidar Lula como um presidente disposto a fazer “coisas para a História”, nas palavras de aliados ouvidos pela revista