Torcida diz que jovem Leandro Souza, 22 anos e pai, foi executado em ação policial em Curitiba

A morte de Leandro Candinho de Souza, de 22 anos, pai de uma criança de três anos, na noite de quinta-feira (12), em Curitiba, provocou forte reação da torcida organizada Os Fanáticos, do Athletico Paranaense. Em nota oficial, a entidade afirma que o jovem foi vítima de execução policial e contesta a versão de confronto divulgada pela Polícia Militar do Paraná (PM-PR).

Leandro morreu no bairro Boqueirão, após a partida entre Athletico e Santos, realizada na Arena da Baixada. Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada por uma moradora que relatou a presença de um homem no quintal de sua residência. A PM afirma que o suspeito estava armado, reagiu à abordagem e foi atingido. Uma arma teria sido apreendida e encaminhada à Central de Flagrantes.

A versão, no entanto, é contestada por torcedores que estavam no local. Pessoas ouvidas pela imprensa relataram que o grupo teria sido dispersado pela polícia e que Leandro buscou abrigo em uma residência para se proteger da ação. Testemunhas afirmam que ele não estava armado.

Nota da torcida fala em execução

Em nota oficial, a Torcida Organizada Os Fanáticos afirma que “o que foi inicialmente divulgado como confronto não corresponde aos relatos de testemunhas” e sustenta que Leandro tinha “conduta ilibada e sem quaisquer antecedentes criminais”.

A entidade também afirma que outros torcedores foram agredidos durante a mesma ação e que alguns precisaram de atendimento hospitalar.

“Não aceitaremos que versões precipitadas sejam utilizadas para encobrir possíveis abusos”, diz o comunicado. A torcida informou que adotará medidas nas esferas criminal e cível e acionará o Ministério Público e órgãos de controle para acompanhar o caso.

Contexto de letalidade policial no Paraná

A morte ocorre em um cenário de aumento das mortes por intervenção policial no Paraná.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, indicam que o estado registrou 426 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, número superior ao de 2024 (405 casos). O Paraná aparece entre os estados com maiores índices proporcionais desse tipo de ocorrência.

Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também apontam crescimento da letalidade policial no estado nos últimos anos.

Casos anteriores envolvendo torcedores

A morte de Leandro reacende lembranças de outros episódios envolvendo torcedores e ações policiais no estado.

Entre eles, a morte de Leonardo Henrique Brandão, de 17 anos, antes de um Atletiba em 2017, e o caso de Maurinho, torcedor do Paraná Clube, morto após ação policial em 2022.

Investigação

O caso deve ser investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público. Até o momento, não houve divulgação oficial do laudo pericial.

Familiares, torcedores e movimentos sociais cobram investigação independente, transparência e a ampliação do uso de câmeras corporais por policiais militares — medida defendida por entidades da sociedade civil como forma de reduzir conflitos e aumentar a transparência nas abordagens.

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