Em Londrina, vereadora reage a ataques contra Erika Hilton, defende luta feminista e associa Ratinho ao caso Banco Master

A vereadora Paula Vicente, do Partido dos Trabalhadores, fez nesta quinta-feira (12) um pronunciamento contundente na Câmara Municipal de Londrina em reação a ataques dirigidos à deputada federal Erika Hilton, tanto no debate público quanto em falas feitas no próprio plenário.

Ao iniciar a fala, Paula afirmou que gostaria de estar discutindo pautas locais, como a falta de professores na rede pública e recursos pendentes para a assistência social, mas disse estar emocionalmente esgotada diante de discursos que, segundo ela, atacam a existência de pessoas e incitam violência.

A vereadora criticou manifestações transfóbicas e afirmou que Erika Hilton “é sim uma mulher, uma mulher trans”, ressaltando que a existência de uma pessoa trans não interfere na vida de ninguém.

Segundo Paula, declarações feitas na tribuna contra pessoas trans configuram crime e não podem ser naturalizadas dentro do espaço legislativo.

Ela também reagiu ao uso recorrente do discurso de defesa das mulheres por parlamentares que, segundo sua avaliação, silenciam diante de casos concretos de estupro, feminicídio e violência cotidiana contra mulheres e meninas.

“Afinal de contas, foi a luta feminista que permitiu que essas mulheres sentassem aqui. Se é anti-feminista, volta para casa”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Paula citou ainda o caso do filho de um subsecretário ligado ao governo do Cláudio Castro, preso por estupro coletivo, para questionar a seletividade de quem diz defender mulheres apenas em determinados contextos.

Na parte final da fala, a vereadora mencionou o apresentador Ratinho ao comentar o caso Banco Master e afirmou que o debate em torno de Erika Hilton também estaria sendo usado como cortina de fumaça enquanto o escândalo segue repercutindo nacionalmente.

Ela citou o fato de o banco ter patrocinado o programa de televisão do apresentador e também criticou o governador Ratinho Júnior por ainda não ter aderido ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

Encerrando a fala, Paula voltou a defender educação sexual nas escolas e afirmou que mulheres seguem sendo vítimas diárias de violência sem que isso provoque reação proporcional de quem costuma invocar a defesa da família e da moral.

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