Curitiba arrecada mais e investe menos em serviços públicos

Prefeito Eduardo Pimentel mantém política de maximizar arrecadação e achatar funcionalismo. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Com caixa abarrotado, Eduardo Pimentel permite salas de aulas superlotadas e não repõe perdas do magistério

O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) não pode reclamar da arrecadação de impostos. Curitiba arrecadou 20% a mais com ISS no ano passado, 11,7% com IPTU e 7,8% com ICMS. O saldo é de 12,4% a mais em uma receita bruta de R$ 14,5 bilhões. Por outro lado, os contribuintes tem motivos para reclamar da gestão. Principalmente quando o assunto é educação e funcionalismo público. Os dados mostram que as despesas com funcionários caíram de 41,31% em 2024, para 39,61% em 2025 (queda de 1,70 p.p.), mantendo-se muito abaixo do Limite Prudencial (51,30%) e do Limite Máximo (54,00%).

O aumento de arrecadação foi comemorado pelo prefeito ao assumir a gestão. “Temos dinheiro em caixa, previsão de R$ 1 bilhão em investimentos, um orçamento recorde, e, o melhor, com a participação ativa da população, por meio do programa Fala Curitiba, nos projetos da cidade”, disse Pimentel ao assumir

Diagnóstico sem remédio

O que pode parecer uma sopinha de números difíceis de serem compreendidos, na prática, tem impacto direto na vida dos cidadãos curitibanos que utilizam os serviços públicos. Em consultas públicas a população apontou Obras Públicas, Saúde e Educação como as áreas com maior número de pedidos de intervenções e serviços.

Volte-se à redução da folha de pagamento. Números da prefeitura apontam que existe margem tranquila de verbas nos cofres da Prefeitura de Curitiba tanto para desbloquear o congelamento das carreiras quanto para contratar profissionais. No entanto, a gestão municipal não faz nem uma coisa, nem outra, segundo o Sindicato do Magistério de Curitiba (Sismmac) que organiza uma greve para início em 8 de outubro.

“A promessa era garantir profissionais em número suficiente nas unidades e fazer um novo concurso no começo da gestão. Isso não aconteceu. Na pressão, houve convocações do último concurso, mas não em número suficiente. Ainda faltam centenas de docentes”, avalia o sindicato.

Quanto a possibilidade de melhorar a carreira do magistério, “o governo Lula promulgou o Descongela que permite contabilizar 583 dias roubados dos servidores pelo governo Bolsonaro durante a pandemia. A Prefeitura poderia corrigir essa injustiça, mas escolheu não fazer”, justificava a entidade.

A prefeitura, por outro lado, disse em uma audiência pública que a “saúde e a educação seguem como as áreas com maior destinação de verbas no Orçamento de Curitiba, representando juntas quase 46% do orçamento total”.  São destinados R$ 3,02 bilhões para a educação (26,05%), considerando recursos do Tesouro, do SUS e do Fundeb.

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