Ministra se desincompatibiliza para disputar o Senado e encerra passagem pela Secretaria de Relações Institucionais com agendas voltadas a saúde, educação, habitação, infraestrutura e políticas para mulheres no estado
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, deve deixar deixar o governo federal nesta quarta-feira (1º) para cumprir o prazo de desincompatibilização e disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná nas eleições de 2026. A saída ocorre dentro do calendário eleitoral, que exige o afastamento de ministros que pretendem concorrer em outubro.
A despedida do cargo ocorre depois de um início de ano marcado por uma sequência de agendas, anúncios e entregas no Paraná, com foco em áreas como saúde, educação, habitação, infraestrutura, agricultura familiar e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Ao longo dos primeiros três meses de 2026, Gleisi participou de eventos e articulações políticas que reforçaram a presença do governo Lula no estado. Em fevereiro, anunciou investimento de R$ 44 milhões para cinco campi do Instituto Federal do Paraná, com obras e estrutura voltadas à ampliação da formação técnica e superior. Também participou do lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, defendendo a articulação entre Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar a violência letal contra as mulheres.
Na área da saúde, uma das frentes mais recorrentes de sua agenda, a ministra acompanhou anúncios e entregas do Novo PAC Saúde em diferentes regiões do estado. Em março, participou da assinatura para construção de policlínicas em Foz do Iguaçu e Cascavel, em um pacote de R$ 65 milhões. Dias depois, esteve em Curitiba na entrega de ambulâncias, unidades odontológicas móveis, equipamentos para UBSs e combos cirúrgicos, em um novo aporte de R$ 22,3 milhões. Em Ponta Grossa, também acompanhou a formalização de recursos para oito UBSs e a autorização para abertura do processo de licitação da primeira policlínica do município.
Na habitação, Gleisi participou da entrega de 240 apartamentos do Residencial Theo Aterino, no bairro Tatuquara, em Curitiba, pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Na ocasião, destacou a retomada de obras paralisadas e o papel do governo federal na ampliação do acesso à moradia popular. Nos materiais distribuídos por sua assessoria, a ministra também ressaltou que o Paraná soma bilhões em investimentos habitacionais e recordes de financiamento desde a retomada do programa.
A infraestrutura também esteve no centro da atuação da ministra neste começo de ano. Em março, Gleisi participou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do anúncio de R$ 2 bilhões em investimentos para o Paraná, contemplando obras como o Contorno Sul Metropolitano de Maringá, o último trecho da Estrada Boiadeira, melhorias no Aeroporto Regional de Maringá e a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá. Em agenda anterior, também havia acompanhado a inauguração da Ponte da Integração Brasil–Paraguai, em Foz do Iguaçu, obra que classificou como estratégica para o desenvolvimento regional e para a integração latino-americana.
No campo social e federativo, Gleisi promoveu reuniões com prefeitos e prefeitas do Paraná para apresentar programas e investimentos do governo federal nos municípios. Entre os números destacados por sua equipe está o volume de R$ 66,3 bilhões previstos pelo Novo PAC no estado até 2030, com empreendimentos espalhados pela maior parte dos municípios paranaenses.
A ministra também manteve agendas ligadas à agricultura familiar e à resposta a eventos climáticos extremos. Participou, em Curitiba, de evento com a Fetaep para reafirmar o apoio do governo Lula ao setor e destacou medidas emergenciais para os produtores de leite. Já no fim de março, celebrou a autorização de mais de R$ 20 milhões para comunidades rurais atingidas por tornados no Paraná, especialmente em áreas de reforma agrária.
Na educação, além dos anúncios para institutos federais, Gleisi participou da divulgação de entregas de obras educacionais no país e comemorou os R$ 9,1 milhões destinados ao Paraná em creches, estrutura hospitalar universitária e restaurante estudantil do IFPR em Ivaiporã. Também esteve em Maringá em agenda que incluiu o lançamento do convênio para implantação de um novo campus do IFPR, com apoio da Itaipu Binacional.
Em sua reta final no cargo, Gleisi ainda participou, em Curitiba, do Ato de Mobilização pelo Pacto Brasil Contra o Feminicídio, ao lado da ministra Márcia Lopes e do diretor-geral de Itaipu, Enio Verri. Na ocasião, reforçou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige políticas públicas permanentes, integração entre instituições e mudança cultural.
A saída de Gleisi integra a movimentação de ministros do governo Lula que deixam a Esplanada para disputar as eleições gerais deste ano. Segundo a Agência Brasil, a mudança na Secretaria de Relações Institucionais era uma das previstas no processo de desincompatibilização, cujo prazo legal vai até 4 de abril.