Sindicatos cobram avanços e que prefeito descole do modelo de Greca
Durante a eleição, o comentário entre os eleitores é de que o candidato Eduardo Pimentel (PSD) disputava seu primeiro emprego de verdade. Neto do ex-governador Paulo Pimentel, o então vice-prefeito de Curitiba estava acostumado a ganhar cargos políticos. E foi para a disputa tendo como padrinhos o governador Ratinho Junior (PSD) e o prefeito da época Rafael Greca (atual MDB). Agora, como prefeito, Eduardo Pimentel tem sua primeira batalha de verdade como gestor público: enfrentar a greve convocada pelo Sismmac e, posteriormente, pelo Sismuc. Na pauta: descumprimento de promessas de campanha e críticas ao continuísmo de gestão.
A greve que começa no dia 8 de abril foi anunciada diante das “promessas não cumpridas por Pimentel”. No segundo turno, o “preparado” assumiu compromissos com o funcionalismo público para derrotar a adversária Cristina Graeml. Contudo, após 16 meses de gestão, o funcionalismo público critica o “continuísmo” da gestão Greca e cobra avanços.
“Na campanha eleitoral de 2024, quando a disputa estava apertada e o risco de derrota era real, Eduardo Pimenta apresentou ao magistério uma carta compromisso cheia de promessas. Falou em valorização, revisão da carreira, melhoria da remuneração, concursos e mais profissionais nas escolas”, diz o Sindicato do Magistério de Curitiba (Sismmac), ressaltando que “o magistério chegou ao limite”.
Para a presidenta do Sismmac, Diana Abreu,, a gestão de Pimentel tem acumulado, desde o ano passado, sinais preocupantes relacionados às limitações na carreira, sobrecarga nas unidades e política de inclusão sem estrutura.
“De fato, os servidores não entraram no orçamento da cidade. Foram pequenas ações que não refletem a pauta do magistério. A Prefeitura de Curitiba não dá indicativos de valorização. Ela tenta dar o calote na data-base, o edital de crescimento só foi publicado no fim do ano, quando era em agosto, e ainda retira direitos. Pimentel e Vitor Puppi (secretário de finanças) indicam que vão seguir com a mesma austeridade contra o funcionalismo”, avalia a presidenta.

Faltam profissionais
Esses são fatores que levam a administração de Eduardo Pimentel ser negativa, na avaliação da vereadora Vanda de Assis (PT). Para ela, o prefeito não tem dialogado com os servidores e tem se apoiado na justificativa de que está no início do mandato para não enfrentar pautas centrais da categoria.
“Não houve avanço na valorização do funcionalismo, como a recomposição salarial e a atualização dos planos de carreira. Pelo contrário: a gestão tem apresentado propostas que rebaixam expectativas e fragmentam as categorias, em vez de construir soluções coletivas.
Além disso, no primeiro ano de governo, uma das principais iniciativas foi a aprovação de uma lei que amplia a contratação temporária, o que contribui para a precarização do serviço público. Isso demonstra uma opção política que não prioriza a valorização dos servidores”, destaca Vanda.
A falta de profissionais também é uma das preocupações de Juliana Mildemberg, coordenadora-geral do Sismuc, outra entidade que aprovou a paralisação a partir de 8 de abril. Para ela, a gestão do prefeito Eduardo Pimentel permanece na mesma linha do fim da gestão do ex-prefeito Rafael Greca.
“Ou seja, não está cumprindo com aquilo que já não estava sendo feito. Um diagnóstico disso é a falta de profissionais que alertamos durante a campanha. Faltam profissionais nas escolas e ainda mais nos CMEIS. Faltam docentes, auxiliares de serviços escolares e professores de educação infantil”, enfatiza.
A greve aprovada pelo Sismuc enfatiza o descumprimento de compromissos assumidos com a categoria em diferentes mesas de negociação, além da avaliação de que há falta de garantia de orçamento para valorização dos serviços e dos servidores públicos, enquanto a administração prioriza investimentos em outras áreas e articulações políticas vinculadas a aliados.
Fazer a lição de casa
A falta de avanços também é vista pela vereadora Laís Leão (PDT). Ela avalia que a atual gestão não avançou conforme o esperado pela categoria da educação nesse primeiro ano de gestão e recorda que a própria queda do secretário Jean Pierre Neto, após uma série de denúncias do nosso mandato, é a prova de que havia algo de errado na pasta.
“Agora, houve a troca no comando da secretaria, mas ainda não está claro o que a Prefeitura vai de fato fazer para resolver os problemas estruturais da Educação Pública Municipal. Estamos aguardando um plano amplo para educação, que mostre como a Prefeitura pretende cumprir essa parte do plano de governo, não apenas medidas isoladas, e é isso que seguirei cobrando”, reforça.
Greve unificada já tem vitória
A paralisação já obteve uma vitória antes mesmo de acontecer. O prefeito Eduardo Pimentel anunciou na terça-feira (31) que vai implementar o descongelamento dos direitos relativos aos 583 dias de tempo de serviço suspensos durante a pandemia de Covid-19 pela Lei 173/2020, que afetou benefícios como o adicional por tempo de serviço e a licença-prêmio.