Sindicato quer secretário de Finanças, Vitor Puppi, em mesa de negociação

Secretário de Finanças Vitor Puppi é responsável pelas contas do município. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Perdas acumuladas do magistérios chegam a 6,81% em quase dez anos enquanto Curitiba tem R$ bi em caixa

Como uma cidade que acumula R$ 4 bilhões em caixa não pode investir em seu funcionalismo público? Essa é a pergunta feita pelo magistério de Curitiba que deve entrar em greve nesta quarta-feira (8). A categoria acumula 6,81% de perdas salariais desde 2016. Neste período de quase 10 anos, quem quase sempre esteve à frente das contas do município é o secretário de Finanças, Vitor Puppi. É dele que cobram esclarecimentos e participação em mesa de negociação para avançar as pautas da categoria. 

O Sindicato do Magistério de Curitiba (Sismmac) se reuniu com o secretário de Governo Municipal, Marcelo Fachinello, para negociação sobre as pautas do magistério no último dia 1 de abril. Estiveram presentes também o secretário de Educação, Paulo Afonso Schmidt, e a secretária municipal de Gestão de Pessoal, Daniele Regina dos Santos. Quem não participou foi justamente o secretário de Finanças.

“Mais uma vez, a Secretaria de Finanças não esteve presente. Eles (representantes) dizem que não têm margem fiscal e financeira para atender as pautas. Quem promove a austeridade fiscal é Vitor Puppi. Sem negociação, a greve está mantida”, disse a presidenta Diana Abreu, em vídeo postado nas redes sociais

Cálculos do DIEESE (Departamento Intersindical Intersindical de Estudos Socioeconômicos) apontam que as perdas financeiras acumuladas chegam a 6,81% de 2016 a 2025. A base de referência é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Os anos negativos foram de 2016 a 2018, quando sequer foi reposta a inflação.

Mesmo assim, de acordo com o Sismmac, os representantes da Prefeitura não apresentaram nenhum avanço em relação às pautas emergenciais. “Não há alterações nos limites do Crescimento Vertical, auxílio-alimentação, confisco das aposentadorias e nas demais urgências do magistério”, enfatiza-se. 

Em 10 anos, funcionalismo de Curitiba registrou perdas salariais. Gráfico: DIEESE

Secretário sem diálogo

A vereadora Camilla Gonda (PSB) avalia que os prejuízos ao funcionalismo são reflexo da postura do secretário de Finanças. “No começo da gestão, por exemplo, ele quis cortar fundos relacionados ao terceiro setor e nós combatemos essa iniciativa. Ele é um secretário herdado da gestão Rafael Greca e que toma as decisões de assuntos relacionados aos servidores públicos”, direciona.

Gonda reforça que é necessário mirar o orçamento da cidade para mirar o crescimento do funcionalismo. “A gente não compreende a falta de abertura do secretário para estabelecer esse diálogo”, complementa. 

O comprometimento da Receita Corrente Líquida com as Despesas com Pessoal caiu de 41,31% para 39,61%, se mantendo abaixo do limite de alerta (48,60%), do limite prudencial (51,30%) e do limite máximo (54,00%). Portanto, há margem para a concessão de reajustes e crescimento de carreira.

Já a vereadora Vanda de Assis (PT) enfatiza que o secretário atua como operador de uma política definida pelo prefeito. Para ela, a responsabilidade central é do Eduardo Pimentel (PSD), que escolheu manter e dar continuidade a uma equipe alinhada a uma visão mais privatista da gestão pública.

“Essa concepção trata o serviço público a partir de uma lógica de mercado, e não como um direito da população. O resultado é o enfraquecimento das políticas públicas e a precarização das condições de trabalho dos servidores”, comenta Vanda.

Para Juliana Mildemberg, coordenadora geral do Sismuc, “Puppi trava tudo internamente dentro da Prefeitura. “Ele ‘sentou em cima do dinheiro’ e o município tem, em torno de R$ 4 bilhões em caixa, mas tá parado. Enquanto isso, Puppi apresentou uma proposta que aumenta o salário apenas dos 108 auditores fiscais que trabalham com ele”, compara. O Sismuc também aprovou a paralisação a partir do dia 8 de abril.

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