Funcionalismo “combateu” judiciário e desinformação nas redes
Uma greve que enfrentou restrição judicial, desinformação da mídia paranaense e até um pouco de receio da união da educação e do funcionalismo público. Uma paralisação que foi suspensa após a gestão Eduardo Pimentel (PSD) negociar e se comprometer com a pauta da categoria. Um movimento que se considera vitorioso ao levar milhares de trabalhadores às ruas. Esses são muitos dos saldos da greve do magistério que ocorreu ontem (8), em Curitiba, na capital do estado.
A interrupção da greve, construída ao longo do mês de março, ocorreu após os servidores públicos da base do Sismmac (Sindicato do Magistério de Curitiba) e do Sismuc (Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba) considerarem positivas as propostas referentes às pautas.
O Sismmac destacou o caráter pedagógico de que o movimento teve engajamento tanto nas ruas quanto nas redes. É essa composição de atuação junto à sociedade, aos pais e a própria categoria que deram força à greve.
“Tudo isso foi feito por muitas mãos. Não apenas pelo sindicato e por nossa direção, mas por cada membro do CR (Conselho de Representantes) que se comprometeu em ser a ponte entre essa construção e sua escola, cada professora e professor que se comprometeu em dialogar com mais colegas e com as famílias de sua comunidade. E cada um que foi lá nas redes sociais, interagir, curtir, compartilhar, comentar, compartilhar, comentar, compartilhar”, comenta a entidade após a interrupção da paralisação.
Já o Sismuc destacou a necessidade de os trabalhadores seguirem mobilizados e em pressão. Segundo a entidade, a paralisação será retomada na falta de cumprimento de qualquer questão deliberada durante a reunião.
“Conquistamos a reposição do dia da greve para os servidores que participam no dia de hoje, que deve acontecer até o dia 25 de abril para não sofrer desconto na ficha funcional. Os avanços são fruto da coragem, da força e união das servidoras e servidores que foram às ruas no dia de hoje! Mostramos que a organização coletiva é capaz de garantir condições dignas de trabalho para quem constrói o serviço público de Curitiba”, enfatiza a entidade.

Ilegal é desvalorização
Um dia antes do início da greve, a Prefeitura de Curitiba conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça declarando “ilegal a paralisação” e ameaçando com multa diária de R$ 100 mil. As entidades, por outro lado, confiantes no processo de deflagração da greve, mantiveram a paralisação e levaram milhares às ruas.
Outro enfrentamento ocorreu com a mídia de Curitiba. Sites e páginas nas redes sociais destacaram tanto a liminar da Prefeitura quanto tentaram “associar” a greve a partidos políticos, deslegitimando o movimento. Fatos que não enfraqueceram a paralisação.
“Seja o prefeito em sua “escorregada” no aniversário da cidade, seja o vereador oportunista que tentou lacrar mas foi cancelado por seus próprios eleitores – várias vezes, sejam os “portais” de notícias abastecidos com dinheiro oficial ou a velha mídia tradicional, que às vezes abandona o jornalismo para apoiar seu grande patrocinador, nenhum teve sucesso. Porque o magistério, tão acostumado a acolher, foi acolhido pela cidade”, conclui a nota do Sismmac.