Muito antes de chegar ao Senado, Sergio Moro já estava inserido no debate sobre privilégios e altos vencimentos no serviço público. Ainda como juiz da Lava Jato, defendeu publicamente o auxílio-moradia pago a magistrados como forma de “compensar” a falta de reajuste salarial da categoria, mesmo possuindo imóvel próprio em Curitiba. À época, reportagens mostraram que Moro recebia remunerações acima do teto do funcionalismo em determinados meses, impulsionadas por indenizações, vantagens eventuais e penduricalhos previstos para magistrados.
Agora no Senado, os gastos do ex-juiz também chamam atenção.
Levantamento com base em dados oficiais da transparência do Senado mostra que Sergio Moro acumulou R$ 1.571.911,48 em despesas parlamentares entre 2023 e maio de 2026.
O valor reúne cotas parlamentares, passagens, diárias, estrutura de gabinete, aluguel de escritório político e outros gastos vinculados ao exercício do mandato.
No mesmo período, os outros dois senadores do Paraná registraram despesas significativamente menores.
Flávio Arns somou R$ 1.314.445,26. Já Oriovisto Guimarães registrou R$ 356.304,32 — menos de um quarto do total utilizado por Moro.
Os números de 2025 concentram parte importante das despesas do senador do União Brasil à época, hoje no PL.
Naquele ano, Moro declarou:
- R$ 186 mil em passagens aéreas;
- R$ 139 mil em locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis;
- R$ 152 mil em aluguel de escritório político.
O gabinete também mantinha 25 funcionários entre assessores do Senado e escritórios de apoio.
Somando os anos analisados:
- Sergio Moro → R$ 1.571.911,48
- Flávio Arns → R$ 1.314.445,26
- Oriovisto Guimarães → R$ 356.304,32
Na prática, Moro gastou cerca de 4,4 vezes mais que Oriovisto no mesmo período analisado.
Os dados utilizados no levantamento estão disponíveis no Portal da Transparência do Senado Federal e incluem despesas cobertas pela Cota para Exercício da Atividade Parlamentar e gastos adicionais custeados pela estrutura da Casa.
O cálculo não inclui salários dos senadores, remuneração detalhada de assessores nem custos indiretos do funcionamento do Senado.