O escritório político mantido pelo senador Sergio Moro em um prédio corporativo de luxo entre o Centro e o Batel, em Curitiba, pago com dinheiro público, pertence a advogados ligados diretamente ao seu suplente no Senado, o advogado Luis Felipe Cunha.
O imóvel funciona no Centro Empresarial Engenheiro José Joaquim, edifício de alto padrão localizado na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, uma das áreas mais valorizadas da capital paranaense. O prédio se apresenta como empreendimento premium voltado ao mercado corporativo, com auditório para 100 pessoas, estacionamento em quatro pisos, blindagem acústica, ar-condicionado central e sistema de monitoramento eletrônico.
Documentos disponíveis no Portal da Transparência do Senado mostram que o aluguel do escritório parlamentar de Moro é pago à empresa Gomes Coelho & Bordin. Um dos recibos analisados pela reportagem foi assinado pelo advogado Luis Alberto Gonçalves Gomes Coelho.
Dados públicos de consulta empresarial mostram que Luis Felipe Cunha integra a sociedade GOMES COELHO, BORDIN, CUNHA & SELEME SOCIEDADE DE ADVOGADOS, registrada em Florianópolis em junho de 2022, poucos meses antes da eleição ao Senado. Entre os sócios da empresa aparecem também Helio Gomes Coelho Junior, Mauro Joselito Bordin e Luis Alberto Gonçalves Gomes Coelho — nomes ligados ao escritório proprietário do imóvel utilizado pelo gabinete de Moro.
O caso já havia sido levantado em 2023, quando veio à tona a relação societária entre integrantes do escritório que recebe os pagamentos do Senado e o suplente de Moro.
Os documentos disponíveis na transparência do Senado mostram ainda que Moro mantém despesas recorrentes no local com aluguel do imóvel e vagas de garagem, condomínio, limpeza mensal e manutenção mensal do sistema de câmeras e controle de acesso.
Somente em março de 2026, os gastos identificados somaram R$ 11.737,73. Os documentos também mostram que o imóvel é utilizado desde pelo menos março de 2023. Considerando os valores atualmente registrados para aluguel, condomínio, limpeza e monitoramento eletrônico, a manutenção da estrutura já ultrapassa R$ 440 mil ao longo do mandato.
Nesta semana, o Reverbero revelou que Moro já acumulou R$ 1.571.911,48 em despesas parlamentares desde que assumiu o mandato no Senado — valor superior ao registrado pelos outros senadores do Paraná no mesmo período analisado.
Luis Felipe Cunha, suplente de Moro, também já esteve no centro de outra controvérsia envolvendo o ex-juiz. Em 2022, uma empresa do advogado recebeu R$ 1 milhão do União Brasil, partido de Moro à época, em pagamentos descritos como “consultoria jurídica”.
Hoje filiado ao PL e apontado como potencial candidato ao Governo do Paraná em 2026, Moro pode deixar o Senado caso dispute e vença a eleição estadual. Nesse cenário, é justamente Luis Felipe Cunha quem assumiria sua vaga no Senado Federal.