Copel já distribuiu aos acionistas quase o dobro do que o Estado recebeu com a venda da companhia

Em menos de três anos após a privatização da Copel, a empresa já distribuiu R$ 5,87 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas, valor 89,5% superior aos R$ 3,1 bilhões recebidos pelo Governo do Paraná pela venda da companhia.

Após a privatização, a empresa registrou aumento das reclamações, piora dos indicadores operacionais, reajustes tarifários elevados e redução da capacidade de controle do Estado sobre um serviço essencial.

No ranking nacional da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que mede a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia, divulgado no ano passado, a Copel ficou entre as empresas com pior desempenho do país. Entre as 33 distribuidoras de grande porte, ocupou a 27ª posição.

Para a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT), os números mostram que os principais beneficiados pela privatização foram os acionistas da empresa, e não a população paranaense.

“Venderam a Copel, um dos maiores orgulhos dos paranaenses, dizendo que era um grande negócio para o Estado. A verdade é que a privatização foi ótima para os acionistas e péssima para a população.”

“Em junho, a Copel aumentou a tarifa em mais de 20%, uma coisa absurda. A população e o setor produtivo do Paraná estão enfrentando reajustes abusivos, demora no atendimento, precarização dos serviços e apagões prolongados que causam prejuízos às famílias, aos produtores rurais, às granjas, à piscicultura e às indústrias”, afirmou Gleisi.

A deputada lembrou que a privatização da Copel foi aprovada em tempo recorde. O governo Ratinho Junior encaminhou à Assembleia Legislativa o projeto que abriu caminho para a venda da companhia em 21 de novembro de 2022, sob regime de urgência. Apenas três dias depois, após três sessões extraordinárias realizadas em 24 de novembro, a Alep concluiu a votação.

A proposta foi aprovada por 35 votos favoráveis e 13 contrários no segundo turno. A bancada do PT votou integralmente contra a privatização. Ratinho Junior contou com o apoio da maioria da base governista e de todos os deputados do PL presentes à votação.

“Uma decisão desse tamanho foi aprovada em apenas três dias. O PL de Bolsonaro apoiou a entrega do controle da Copel. Hoje, o partido do senador Sergio Moro e seus representantes precisam responder por essa escolha”, afirmou Gleisi.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *