Vereadora Vanda de Assis sofre ataque xenofóbico durante sessão da Câmara de Curitiba

A vereadora Vanda de Assis (PT) sofreu um ataque xenofóbico durante a sessão da Câmara Municipal de Curitiba realizada nesta quarta-feira (5). Enquanto discursava contra um projeto de lei que cria um cadastro municipal para pessoas em situação de rua, a parlamentar foi interrompida pela vereadora Tathiana Guzella (PL), que questionou sua origem e afirmou que ela deveria “voltar para o Ceará”.

Natural de Campos Sales (CE), Vanda retirou o aparte concedido à vereadora após a declaração e afirmou que adotará todas as medidas judiciais cabíveis.

Em nota, a parlamentar afirmou que não tratará o episódio como uma simples divergência política.

“Sou nordestina com muito orgulho. Não vou me calar diante desse ataque e não vou permitir que a xenofobia seja naturalizada, especialmente dentro da Câmara Municipal, a casa do povo. Xenofobia é crime.”

Segundo Vanda, o ataque ocorreu enquanto ela defendia que Curitiba precisa ampliar políticas públicas para a população em situação de rua, e não criar novos cadastros.

“Curitiba não precisa de mais cadastros. O cadastro já existe. O que falta é investimento em políticas públicas, equipes de assistência social fortalecidas, acolhimento e garantia de direitos para pessoas em situação de rua.”

A vereadora afirmou que seguirá exercendo o mandato e responsabilizará a autora da declaração.

PT divulga nota de repúdio

O Partido dos Trabalhadores do Paraná divulgou uma nota oficial de repúdio ao ataque xenofóbico. O documento é assinado pelo presidente estadual da legenda, Arilson Chiorato, pela Secretaria Estadual de Combate ao Racismo e pela Secretaria Estadual de Mulheres.

Na nota, o partido afirma que a declaração da vereadora do PL “não representa o sentimento do povo curitibano e paranaense” e classifica a fala como preconceito regional e violência política de gênero.

“É inadmissível que, em plena democracia, uma parlamentar ataque uma colega apenas por conta de sua origem regional. A fala ao mandá-la ‘voltar para o Ceará’ não foi um lapso de debate, mas uma agressão calculada que expõe o pior do preconceito regional e da violência política de gênero.”

O PT também sustenta que a xenofobia é crime e cobra providências da Câmara Municipal de Curitiba e do Ministério Público.

“Exigimos que a Câmara Municipal de Curitiba e o Ministério Público ajam com rigor exemplar, aplicando as sanções éticas, políticas e penais cabíveis.”

Ao final, o partido manifesta solidariedade à vereadora e ao povo nordestino.

“Nenhum passo atrás contra o racismo, a xenofobia e a misoginia. Vanda, estamos juntos na trincheira da democracia e da representatividade das mulheres.”

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