As fortes chuvas que atingiram o Paraná nos últimos dias voltaram a provocar alagamentos na comunidade Rio Negro, no bairro Capela Velha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A situação expõe problemas antigos enfrentados pelas famílias que vivem na região, marcada pela proximidade com cursos d’água, áreas alagáveis e pela precariedade de parte da infraestrutura urbana.
Rio Negro está entre as comunidades do Capela Velha que enfrentam problemas recorrentes em períodos de chuva intensa. Há registros de alagamentos no local pelo menos desde 2023, quando moradores também tiveram casas e ruas atingidas após dias de chuva.
No atual período de instabilidade, o Capela Velha esteve entre os bairros de Araucária com ocorrências relacionadas às chuvas. Na quinta-feira (10), a Defesa Civil municipal monitorava rios, encostas e áreas próximas a cursos d’água após o município registrar cerca de 60 milímetros de chuva em 24 horas. Também havia ocorrências nos bairros Cachoeira, Costeira, Iguaçu, Boqueirão e Campina da Barra.
Problema vai além da chuva
Um integrante de um movimento por moradia afirma que a situação da Rio Negro precisa ser compreendida dentro de um problema mais amplo de ocupação e infraestrutura do Capela Velha.
Segundo ele, a região reúne cerca de sete ou oito comunidades em diferentes condições de consolidação. Entre elas estão Lagoa Azul, Rio Negro, Alvoredo 1, Alvoredo 2, Israelense e Arco-Íris. Algumas são mais antigas e já possuem discussões sobre regularização, enquanto outras permanecem em situação mais precária e continuam crescendo.
Parte da Rio Negro, de acordo com o integrante do movimento, foi formada sobre áreas que precisaram ser aterradas para a construção das moradias. A região também possui áreas alagáveis e outras características ambientais que tornam a ocupação mais vulnerável.
Ele defende que o poder público realize intervenções de infraestrutura capazes de reduzir os riscos enfrentados pelas famílias, incluindo manutenção dos cursos d’água e adequações nas ruas.
“Com infraestrutura, com investimento, esse tipo de situação, pelo menos, pode ser sanada pela prefeitura”, afirma. Entre as medidas citadas estão intervenções para melhorar o escoamento da água e as condições das vias.
O movimento também defende que eventuais remoções de famílias não ocorram sem uma solução habitacional definitiva. “Se é para sair dali, tem que ter um local definitivo”, afirma.
Segundo o relato, pesquisadores ligados à Universidade Federal do Paraná estão realizando um trabalho na região para levantar aspectos históricos, geológicos e ambientais do Capela Velha e contribuir com a discussão sobre as condições das comunidades instaladas na área.