Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida pressiona Flávio Bolsonaro; Requião Filho e Gleisi defendem padroeira

A discussão sobre o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil entrou de vez na campanha eleitoral nesta sexta-feira (25). Depois de o assunto crescer rapidamente nas redes e pressionar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Requião Filho e Gleisi Hoffmann se manifestaram em defesa da santa e da liberdade religiosa.

Levantamento da Palver divulgado pelo UOL mostra o tamanho da repercussão: em menos de 24 horas, as referências ao assunto passaram de uma média de cerca de 40 para 735 a cada 100 mil mensagens analisadas. A maior parte das publicações monitoradas tinha tom crítico a Flávio Bolsonaro.

A proposta que voltou ao debate foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e arquivada no ano seguinte. Galli, porém, aproximou-se posteriormente do bolsonarismo e foi nomeado assessor especial da Presidência da República em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro. O antigo projeto pretendia substituir na legislação a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Portal da Câmara dos Deputados

Requião e Gleisi entram no debate

No Paraná, Requião Filho publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e afirmou que o estado precisa respeitar a fé de cada cidadão.

“O Paraná que cuida também defende a diversidade religiosa e a fé de cada brasileiro. Não podemos permitir que projetos como esse ganhem o Congresso. Que Nossa Senhora Aparecida continue abençoando o Brasil!”, escreveu o candidato ao governo.

A peça divulgada pela campanha de Requião também relaciona o episódio à disputa eleitoral no estado e cita os adversários Sergio Moro e Sandro Alex como representantes do bolsonarismo no Paraná.

Gleisi Hoffmann também publicou uma manifestação em defesa da padroeira. “O Brasil é um país que convive com diferentes religiões e a fé dos brasileiros precisa ser respeitada!”, escreveu.

“Proteger todas as religiões é proteger o direito sagrado de cada brasileiro exercer a sua fé. Respeitar o sagrado do outro é proteger a nossa própria humanidade”, acrescentou a candidata ao Senado.

Flávio tenta conter repercussão

Flávio Bolsonaro foi às redes e também respondeu a jornalistas para negar que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil.

“É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil”, declarou nesta sexta-feira.

Nossa Senhora Aparecida recebeu oficialmente da Igreja Católica o título de Padroeira do Brasil em 1930. A legislação brasileira também adotou a expressão e estabeleceu 12 de outubro como feriado nacional dedicado à santa. O projeto de 2007 pretendia alterar essa redação legal, mas foi rejeitado e arquivado em 2008.

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