Defasagem salarial dos servidores estaduais chegou a 34,72% em 2021, diz APP Sindicato

Reajuste de 3% em janeiro reduz as perdas a 30,8%. Para professores, impacto da nova tabela salarial ainda é incerto. Nessa quinta-feira, dia 13, o Revérbero mostrou que a defasagem salarial, aliada à sobrecarga de trabalho, tem causado desconforto entre os profissionais da Segurança Pública do Paraná. “A tropa está indignada”, disse um deputado

FOTO: Divulgação APP Sindicato

A defasagem salarial dos servidores estaduais chegou a 34,72% no final de 2021. O reajuste de 3%, a ser implementado na folha de janeiro, reduz as perdas para 30,8%, mas a inflação deve seguir corroendo os salários até maio, mês da data base.

Até lá, a defasagem da Data-Base deve chegar a 34%, segundo estimativa do economista Cid Cordeiro, assessor da APP-Sindicato. Entre os trabalhadores da educação, funcionários de escola, aposentados e professores em níveis mais elevados da carreira acumulam estas perdas integralmente. 

Nessa quinta-feira, dia 13, o Revérbero mostrou que a defasagem salarial, aliada à sobrecarga de trabalho, tem causado desconforto entre os profissionais da Segurança Pública do Paraná. “A tropa está indignada”, disse um deputado. Leia neste link.

Impacto

Mas o impacto do reajuste do Piso e das mudanças na carreira que motivaram a greve de três dias no final de 2021 são incertos. O governo ainda não publicou a nova tabela, deixando, segundo a APP, os trabalhadores no limbo sobre a expectativa salarial em janeiro e inviabilizando o cálculo neste momento para parcela significativa dos professores.

No conjunto do funcionalismo, Cid calcula que o servidor público paranaense está perdendo 4,5 salários por ano devido à falta de reajuste para compensar a inflação.

“Além da perda que já estava acumulada, passamos a conviver com altas taxas de inflação ao longo do ano passado, o que aumenta consideravelmente as perdas salariais”, afirma o economista

Maior inflação do país

Curitiba teve em 2021 a maior inflação entre as capitais, o que agrava a defasagem salarial. A capital registrou alta de 12,73% nos preços de produtos e serviços. A inflação oficial do Brasil em 2021 foi de 10,06%.

Na cidade, o índice foi impactado principalmente pela alta no preço dos combustíveis, de 52,98% nos 12 meses de 2021. Nesse começo de ano, os combustíveis já tiveram novo aumento de preços, o que indica que a inflação deve seguir alta em 2022.

A APP reafirma a importância da luta por correção salarial que zere as perdas inflacionárias. Além de insuficiente, o reajuste de 3% está aquém das possibilidades do Governo, pois a inflação corrói a renda do trabalhado, mas não prejudica a arrecadação de impostos, que aumenta quando os preços sobem.

Cordeiro ressalta que o Governo tem usado suposta falta de recursos para não pagar o que deve aos servidores, mas em 2021 as receitas superaram em R$ 8,3 bilhões as estimativas iniciais.

Para 2022, as receitas devem superar em R$ 5,3 bilhões a estimativa oficial, o que abriria boa margem para negociações salariais, considerando também que deixou de vigorar em 31 de dezembro a Lei Complementar 173, que vetou reajustes salariais em 2020 e 2021. 

Cid Cordeiro lembra que a APP sempre lutou pelo reajuste salarial de acordo com a inflação. “Conseguimos isso até o segundo mandato do Beto Richa, quando ele parou de negociar com o Sindicato e deixou de repor a inflação. Por isso tivemos a greve de 2015”, afirma.

A greve de 2015 terminou com o compromisso do Governo de zerar as perdas salariais parceladamente até maio de 2017. Esse acordo não foi cumprido, o que levou à greve em 2019, já com Ratinho como governador.

“Naquele momento novamente ficou acertado que o Governo parcelaria o zeramento da defasagem. Novamente o acordo não foi cumprido, mantendo a defasagem dos salários”, recorda Cid Cordeiro.

Ação da Data-Base

Ações relativas ao tema, que estavam suspensas aguardando o julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), podem começar a andar.

O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná já julgou inconstitucionais os artigos que congelaram a Data-Base no governo Richa, em 2017. Com o reajuste deste ano, sobram 3,29% devidos de 2017. O Estado ainda pode ingressar com recurso, o que não ocorreu até o momento.

Com informações do site da APP Sindicato

Autor: Reverbero

Jornalista.

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