“Barry”, a série “escondida” que tem tudo para se tornar um fenômeno

Foto: Reprodução Facebook

Ela estava lá, “escondida” logo após a exibição de Game of Thrones na HBO – no Brasil, num horário já não tão nobre, às 23h de domingo, quando muitos se preparam para dormir e encarar a segunda-feira, talvez por isso, pouco notada. Ainda longe de causar frisson no país, mas já com certo sucesso nos Estados Unidos – alavancada, no início, justamente por GOT, “Barry” tem tudo para se consolidar como um fenômeno. Não são poucas as séries que, embora gozassem de sucesso da crítica, demoraram a alcançar audiências significativas – uma delas, para ficar só em um exemplo, é Breaking Bad.

“Barry”, que recentemente chegou à sua terceira temporada no canal HBO e na plataforma de streaming HBO Max, apresenta o que uma série precisa. Tem ação, roteiro, ironia, humor, reviravoltas, suspense, mistério, um texto impecável e atuações magistrais – sobretudo, do gênio Bill Hader no papel de Barry. Ainda se destacam Henry Winkler, como o professor de teatro Cousineau, e Stephen Root, o mentor do mal de Barry.

Bill Hader, que faz Barry, e Henry Winkler, o professor de teatro Gene Cousineau. Foto: Reprodução Facebook

No centro da trama, temos Barry, um assassino de aluguel em depressão. Ele passa a dividir a a vida de violência com as artes, matriculando-se num curso de teatro. São dois mundos que só se encontrariam na ficção, afinal, como conceber um ofício que exige sensibilidade e humanidade com crimes praticados por sociopatas de sangue frio?

Eis que temos mais um anti-herói nas telas, do tipo Dexter (leia nossa crítica sobre a temporada especial de Dexter), mas que, diferente daquele, mata não por prazer, mas por necessidade de sobreviver. E que começa a ter profunda crise existencial ao descobrir a possibilidade de viver uma outra jornada, no teatro, ambiente no qual se sente acolhido.

O drama de Barry é conciliar os dois ofícios – e o crime sempre dá um jeito de chamá-lo e fazê-lo votar à ativa, mesmo que contra a sua vontade.

Barry vai além do mero entretenimento. Não faltam críticas à indústria audiovisual americana e à sociedade em si, ávida por consumir qualquer produto meia boca em troca de alguns minutos de distração. A série faz uso da metalinguagem, ao denunciar a necessidade de atores criarem os próprios textos para conseguir espaço – “Barry” é uma criação do próprio Bill Hader . E põe o dedo na ferida das relações e vaidades no ambiente cultural, expondo a saga para se conseguir papeis, ao passo em que denúncia os charlatões presentes no setor.

Outras tramas paralelas chamam a atenção, por exemplo, mostrando criminosos gays e debatendo a violência contra a mulher.

O episódio mais louco

Barry luta para não ser descoberto e para conseguir deixar para trás uma vida que não quer mais. E isso ganha contornos no mínimo surreais no episódio 5 da segunda temporada (aliás, é o mais bem avaliado do IMDB, com nota 9,8), que certamente é uma das coisas mais loucas que já se produziu na TV. Só podemos dizer que tem um professor de taekwondo e uma filha que pratica a mesma arte marcial, e que eles são no mínimo bizarros. Valeria a pena assistir a série apenas para se deleitar com este episódio que é uma obra de arte, em que se ri de tão inacreditável.

Sucesso de crítica e já com alguns Emmys na prateleira, dotada de um texto primoroso, excelentes personagens e atuações estonteantes, quem sabe a série não entra no top 10 das mais assistidas no Brasil. Potencial para isso, tem e de sobra.

SINOPSE

Na série Barry, conhecemos Barry Berkman (Bill Hader), um ex-fuzileiro da marinha que se tornou um matador de aluguel. Barry foi contratado para matar alguém em Los Angeles, contudo, o pistoleiro começa a se questionar se quer mesmo assassinar pessoas por dinheiro pelo resto de sua vida. Além de não ter muitas opções, Barry é muito bom no que faz e se acostumou com esse estilo de vida, tanto que não sente mais emoção nenhuma em matar. Após um período depressivo e repensando a vida, Barry decide encontrar um novo propósito para si, se matriculando em aulas de teatro. Ele espera poder se emocionar e se conectar com as pessoas novamente, e acaba conhecendo o mentor Gene Cousineau (Henry Winkler) e a aspirante a atriz Sally Reed (Sarah Goldberg). Porém, apesar de suas intenções verdadeiras em mudar, Barry precisa lidar com os criminosos que se associou no passado, Monroe Fuches (Stephen Root) e NoHo Hank (Anthony Carrigan).

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