Ala do PSB defende aliança com PT e Requião Filho, enquanto Ducci sinaliza aproximação com a direita

O PSB do Paraná vive uma disputa interna sobre o rumo das eleições de 2026. Enquanto uma ala expressiva do partido defende a manutenção da aliança com o PT e a aproximação com o grupo de Requião Filho, o presidente estadual da sigla, Luciano Ducci, tem dado sinais de que pode conduzir o partido para outro caminho, mais próximo do governador Ratinho Junior e do campo conservador.

Nos bastidores, dirigentes socialistas relatam que parte da direção trabalha por um acordo que consolide um palanque alinhado ao projeto nacional liderado pelo presidente Lula e pela ministra Gleisi Hoffmann. Na semana passada, o grupo formado por Manassés Oliveira, Paulo Rossi e Messias da Silva reuniu-se com Gleisi e com o deputado Requião Filho para discutir cenários. Esse setor chegou a sugerir o nome do ex-ministro Alceni Guerra para compor como vice em uma eventual chapa majoritária. No último sábado, Alceni esteve no Encontro Caiçara, realizado na Ilha de Valadares, em Paranaguá, evento que contou com a presença da ministra.

Apesar dessas movimentações, Ducci divulgou nesta segunda-feira (2) uma nota oficial afirmando que “não há qualquer discussão em âmbito estadual sobre apoio a candidaturas majoritárias” e que o PSB trabalha “exclusivamente na construção de uma chapa forte para as eleições proporcionais”. A manifestação foi recebida com desconfiança por lideranças que defendem a aliança com o PT e interpretam o gesto como tentativa de frear o diálogo com o campo progressista.

Interlocutores do Palácio do Iguaçu afirmam que Ducci avalia um entendimento com Ratinho Junior, de olho no fortalecimento da chapa de deputados federais do PSB. A hipótese provoca reação interna, já que o partido recebeu apoio decisivo do PT na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024 e há expectativa de reciprocidade agora.

O impasse tende a ser discutido nas instâncias nacionais das duas legendas, uma vez que o PSB integra a base do governo Lula e o PT paranaense cobra coerência com o projeto que uniu as siglas no último pleito municipal. A definição sobre o rumo do partido no estado deverá refletir o equilíbrio entre o cenário local e as diretrizes nacionais.

Entre a pressão do Palácio do Iguaçu e a defesa de uma frente progressista no Paraná, o PSB tornou-se peça-chave da disputa de 2026. A queda de braço está aberta — e o desfecho indicará se a legenda caminhará ao lado do projeto liderado por Lula ou se se aproximará do campo político de Ratinho Junior.

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