Sandro Alex: bala de prata ou retrato de um governo perdido?

Ratinho Jr. tanto fez — ou deixou de fazer — acreditando ser o senhor absoluto da sucessão no Paraná, que viu se esgotarem, à sua frente, as possibilidades para a disputa ao governo do Estado. Entre a sombra do caso Master, a própria letargia política e a demora em arbitrar seu campo, chegou ao momento decisivo com menos opções do que parecia ter.

Sempre quis Guto Silva — mas, se era esse o nome, por que não afirmou isso antes? Nunca quis Alexandre Curi, embora também não tenha buscado construir uma saída política para um aliado que, ao menos institucionalmente, conduz a Assembleia Legislativa sem impor obstáculos ao governo na tramitação de projetos, ainda que nos bastidores a relação seja mais complexa. Greca, por sua vez, jamais esteve de fato entre suas preferências, mas foi mantido por perto, cortejado e preservado na órbita do poder, ainda que em posição aquém do prestígio prometido.

E, ao final desse percurso, surge como ungido justamente o nome mais frágil do conjunto: Sandro Alex, que não carrega capital eleitoral próprio expressivo nem simboliza renovação política — atributo que Guto Silva, por exemplo, poderia reivindicar com mais facilidade, apesar de também estar há anos nas engrenagens do poder.

Ratinho escolhe ainda o nome mais vocalmente crítico ao governo Lula — crítica que, muitas vezes, soou rasteira para alguém que ocupava até recentemente uma secretaria de Estado e, portanto, um posto de natureza executiva e institucional.

Numa base já tensionada e dividida, Alexandre Curi talvez fosse o único nome capaz de operar algum grau de unificação. Mas a escolha reforça algo que Ratinho, no fundo, sempre demonstrou: para ele, pareceu mais aceitável correr o risco de perder do que vencer com Curi.

Dias atrás, Ratinho, o pai, disse que o filho tinha uma “bala de prata”. Resta saber: esta é a bala de prata ou apenas um tiro de festim.

Sandro Alex terá capacidade de manter coesa a base governista ou o que se verá daqui em diante será uma migração gradual rumo às hastes de Sergio Moro, hoje à frente nas pesquisas?

Se Sandro será de fato levado ao embate contra Moro ou se tudo ainda não passa de um balão de ensaio, o tempo dirá. Até agosto, prazo final das convenções, ainda há muita água para passar debaixo da ponte.

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