A deputada federal Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado pelo Paraná, voltou a confrontar publicamente Deltan Dallagnol e o desafiou a solicitar diretamente à Justiça Eleitoral uma certidão atualizada sobre sua situação eleitoral. Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi afirmou que apenas o próprio Deltan pode requerer o documento e sustentou que a apresentação pública da certidão seria suficiente para esclarecer se ele está ou não apto a disputar eleições.
“De novo, Deltan Dallagnol, já que você diz que não quer enganar o povo e que não mente, eu te faço um desafio: peça certidão sobre sua situação à Justiça Eleitoral. Só você pode fazer isso. Ninguém pode pedir por você”, afirmou.
A deputada acrescenta que o pedido pode ser feito a qualquer momento, independentemente do calendário eleitoral, e afirma que, caso a certidão venha negativa, o debate estaria encerrado. “Se vier negativa, você estiver elegível, acaba o assunto. O povo precisa saber a verdade.”
Embate ocorre após decisões judiciais que retiraram publicações do ar
A manifestação ocorre em meio à repercussão de decisões liminares expedidas no Paraná que determinaram a retirada de conteúdos publicados por veículos de imprensa, agentes políticos e usuários de redes sociais que mencionavam a inelegibilidade de Dallagnol.
As ações foram movidas pelo Partido Novo e acolhidas pela desembargadora federal Gisele Lemke, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, sob o entendimento de que determinados conteúdos poderiam configurar propaganda eleitoral antecipada negativa ao atribuir de forma categórica ao ex-procurador uma situação jurídica ainda não formalmente aferida para o pleito de 2026.
Segundo Gleisi, porém, a decisão é monocrática e ainda será analisada pelo colegiado do tribunal, podendo chegar ao Tribunal Superior Eleitoral.
“As postagens foram retiradas em respeito à decisão judicial, mas essa decisão foi monocrática. Ainda terá de ser analisada pelo TRE e, se necessário, pelo TSE. Minha convicção continua a mesma”, afirmou.
Cassação de 2023 continua no centro da controvérsia
O pano de fundo do embate é a decisão tomada pelo TSE em 2023, quando Dallagnol teve o mandato cassado após o tribunal entender que sua exoneração do Ministério Público ocorreu enquanto ainda havia procedimentos administrativos em andamento, o que configuraria tentativa de evitar eventual incidência da Lei da Ficha Limpa.
A certidão emitida pela Justiça Eleitoral neste ano, citada em várias publicações questionadas judicialmente, registra que:
- o registro de candidatura foi indeferido em 2023;
- os recursos foram rejeitados;
- o processo transitou em julgado.
As decisões recentes, no entanto, consideraram que a reprodução desse histórico, quando associada diretamente a uma conclusão sobre eleições futuras, pode induzir o eleitorado a erro.
Gleisi acusa censura e critica ofensiva judicial
No vídeo, Gleisi também acusa Dallagnol de acionar judicialmente todos os que divulgaram o tema.
“Você acionou todos que falaram sobre o fato e deram a notícia, pedindo para retirar matérias de diversos sites e órgãos de comunicação. Como se chama isso? Censura à liberdade de imprensa, né?”
A crítica se soma ao debate já levantado por juristas e veículos sobre possível efeito inibidor sobre a imprensa, diante da multiplicação de ações semelhantes contra diferentes alvos, todas com fundamentação quase idêntica.
Lava Jato e órgãos de controle reaparecem no confronto
Gleisi também retomou críticas à atuação de Dallagnol na Operação Lava Jato e mencionou investigações e processos em órgãos de controle.
Ela citou procedimentos no Conselho Nacional do Ministério Público, apurações no Tribunal de Contas da União sobre diárias da Lava Jato e investigações no Conselho Nacional de Justiça relacionadas à 13ª Vara Federal de Curitiba.
“Para não responder a nenhum, você renunciou ao Ministério Público para concorrer a deputado, fraudando a lei. Com isso, virou ficha suja e foi cassado”, afirmou.
Disputa política segue acirrada no Paraná
Ao final, Gleisi também menciona o cenário eleitoral paranaense e lembra que, após a cassação de Dallagnol, tornou-se a deputada federal mais votada do estado.
“Depois que você foi cassado, fiquei a mais votada.”