Em meio às discussões internas do PT sobre a sucessão presidencial de 1998, o nome de Roberto Requião surgiu como possibilidade para encabeçar uma chapa no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva.
A história aparece no segundo volume da biografia de Lula, escrita por Fernando Morais. O contexto era delicado para o PT. Após três derrotas consecutivas e diante da popularidade do Plano Real, lideranças do partido avaliavam que Lula poderia sofrer uma nova derrota para Fernando Henrique Cardoso, que buscava a reeleição em 1998.
Segundo o livro, durante debates internos realizados em julho de 1997, parte da direção petista defendia que Lula fosse “poupado” da disputa do ano seguinte. Entre os nomes que sustentavam essa posição estavam Marta Suplicy e João Paulo Cunha.
Marta foi além. De acordo com a biografia, ela defendia que Lula abrisse mão da candidatura e cedesse a cabeça de chapa a um aliado político. O nome citado como exemplo era justamente o de Requião, descrito no livro como “um dos últimos ‘autênticos’ ainda no PMDB”.
Naquele momento, Requião havia encerrado seu primeiro mandato no governo do Paraná dois anos antes e era uma das figuras mais conhecidas do campo nacional-desenvolvimentista e oposicionista ao governo FHC.
As divergências atravessaram reuniões internas e envolveram diferentes correntes do PT. Enquanto uma ala defendia uma candidatura mais ideológica e isolada, outra insistia na necessidade de ampliar alianças para enfrentar Fernando Henrique.
No fim, prevaleceu a posição majoritária: Lula disputaria novamente a Presidência, agora numa aliança com Leonel Brizola, escolhido como candidato a vice.
A estratégia, porém, não foi suficiente para conter a força eleitoral de Fernando Henrique Cardoso naquele momento. Embalado pela estabilidade do Plano Real, FHC venceu ainda no primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 31,7%.
A derrota de 1998 marcou um dos momentos mais difíceis da trajetória eleitoral de Lula. Ainda assim, o livro relata que, ao contrário do que ocorreu em disputas anteriores, o petista já aparecia como favorito natural para a sucessão seguinte. Quatro anos depois, em 2002, Lula finalmente venceria a eleição presidencial pela primeira vez.