A Prefeitura de Curitiba derrubou 105 árvores na Avenida Arthur Bernardes entre sábado (16) e domingo (17) para as obras do Novo Inter 2 e da implantação de um parque linear na região. A operação ocorreu sob protestos de moradores e movimentos ambientais.
Vídeos registrados no local mostram manifestações durante o corte das árvores, discussões com equipes da prefeitura e tentativas de impedir o avanço das máquinas. Uma pessoa foi retirada da área isolada pela Guarda Municipal.
A reação ao projeto não começou agora.
Desde 2024, moradores, comerciantes e ambientalistas questionam a intervenção prevista para a Arthur Bernardes e denunciam o impacto ambiental provocado pelo estreitamento do corredor verde da região. À época, o projeto previa a derrubada de mais de 230 árvores apenas naquele trecho, dentro do pacote de obras do Inter 2.
O movimento SOS Arthur Bernardes foi criado durante esse processo e passou a organizar abaixo-assinados, atos públicos e tentativas de barrar judicialmente a obra. Os críticos afirmam que nunca houve acordo com a prefeitura sobre a retirada das árvores e acusam a gestão municipal de esvaziar o debate público ao longo dos últimos anos.
Moradores também afirmam que a execução do corte começou sem aviso prévio sobre o início efetivo da operação. A expectativa era de que houvesse comunicação antecipada para novas mobilizações e tentativas de medidas judiciais.
As críticas vão além da derrubada das árvores.
Moradores da região e ambientalistas afirmam que o corredor verde da Arthur Bernardes funciona como uma das principais áreas arborizadas contínuas daquela parte da cidade, ajudando na permeabilidade do solo, no conforto térmico e na preservação ambiental em meio à verticalização acelerada e ao aumento do tráfego nos bairros do entorno.
O projeto também é questionado pela relação entre impacto ambiental e ganho efetivo na mobilidade. Críticos da obra apontam que a ampliação viária e a criação de novas estruturas para ônibus não justificariam a remoção de centenas de árvores adultas em um período marcado pelo agravamento da crise climática.
A prefeitura afirma que o projeto passou por consultas públicas entre 2019 e 2022 e sustenta que o número de árvores removidas foi reduzido ao longo das discussões técnicas. Segundo a gestão municipal, o plano inicial previa o corte de 331 árvores. A administração também afirma que outras 37 árvores serão transplantadas e que haverá compensação ambiental com novos plantios.
A derrubada provocou forte repercussão nas redes sociais. Desde o fim de semana, a expressão “capital da motosserra” passou a circular associada a Curitiba em publicações de moradores, ativistas e perfis ligados à pauta ambiental.