O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) desistiu da candidatura ao Governo do Paraná e vai compor, como vice, a chapa encabeçada pelo deputado federal Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD) para a sucessão estadual. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (31) e altera a configuração da disputa pelo Palácio Iguaçu.
O movimento representa uma mudança de posição de Greca, que vinha sustentando publicamente sua candidatura pelo MDB e havia descartado, em diferentes ocasiões, a possibilidade de ocupar a vice de Sandro Alex.
A composição também aproxima formalmente o MDB do grupo político de Ratinho Junior, que já reúne PSD, Republicanos e a federação formada por União Brasil e Progressistas.
Greca havia descartado ser vice
Greca deixou o PSD em março deste ano justamente após perder espaço na disputa interna pela sucessão de Ratinho Junior. Filiado ao MDB, passou a construir uma candidatura própria ao governo e manteve o nome na disputa mesmo diante das negociações para uma aliança entre os dois partidos.
Em junho, durante entrevista ao portal XV Curitiba, o ex-prefeito chegou a classificar a possibilidade de ser vice de Sandro Alex como uma “negação” de sua trajetória.
“Tivesse ele o currículo que eu tenho, eu aceitaria. Não é uma questão de orgulho. É uma questão de experiência e de competência”, declarou Greca na ocasião.
Já em julho, voltou a rejeitar publicamente a composição. “Não vou ser vice de ninguém”, afirmou em publicação nas redes sociais.
A posição mudou às vésperas da convenção estadual do MDB, marcada para domingo (2), quando o partido deverá formalizar suas definições para as eleições de outubro.
Alvaro Dias defendia acordo com PSD
A composição vinha sendo defendida publicamente pelo ex-governador e ex-senador Alvaro Dias (MDB). Na quinta-feira (30), ele afirmou que o partido deveria abandonar a candidatura própria ao governo e integrar a chapa de Sandro Alex.
A proposta apresentada por Alvaro previa justamente Greca como candidato a vice. O ex-senador argumentava que uma aliança com o grupo de Ratinho Junior também fortaleceria o MDB na disputa pelas duas vagas do Paraná ao Senado.
Alvaro Dias busca viabilizar sua própria candidatura ao Senado e chegou a afirmar que o MDB isolado teria dificuldades para construir uma candidatura competitiva.
Com a retirada de Greca da corrida pelo Palácio Iguaçu, a definição das candidaturas ao Senado passa a ser um dos principais pontos ainda em aberto dentro do grupo.
O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), já ocupa uma das vagas na composição para o Senado. Alvaro Dias tenta assegurar espaço para disputar a outra, enquanto a jornalista Cristina Graeml, que se aproximou do PSD após deixar o União Brasil, também busca espaço na chapa majoritária.
Disputa pelo governo é redesenhada
A saída de Greca também reduz o número de candidaturas competitivas ao Governo do Paraná.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira (27), o senador Sergio Moro (PL) e o deputado estadual Requião Filho (PDT) aparecem à frente nos cenários de primeiro turno. Sandro Alex e Rafael Greca vinham na sequência.
Com Greca fora da disputa e incorporado à chapa de Sandro Alex, o campo ligado ao atual governo estadual concentra forças em uma única candidatura.
Requião Filho teve sua candidatura oficializada pelo PDT no último sábado (25) e conta com o apoio do PT e da Federação Brasil da Esperança. Sergio Moro, por sua vez, deixou o União Brasil e se filiou ao PL depois que a federação União Progressista decidiu integrar a aliança liderada pelo PSD no Paraná.
A composição Sandro Alex-Greca amplia o arco partidário construído por Ratinho Junior para tentar manter seu grupo político no comando do Palácio Iguaçu após oito anos de governo.