O ex-senador Álvaro Dias anunciou nesta segunda-feira (3) que não disputará as eleições de 2026. A desistência encerra meses de articulações em torno de uma possível candidatura ao Senado e ocorre após uma série de mudanças na composição da chapa apoiada pelo governador Ratinho Junior (PSD), que acabou tendo como candidato ao Governo o deputado federal Sandro Alex (PSD), o ex-prefeito Rafael Greca (MDB) como candidato a vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), como candidato ao Senado.
A possibilidade de Álvaro Dias integrar a chapa governista chegou a provocar impasses nas negociações entre PSD, MDB e Republicanos. O ex-senador defendia uma candidatura de unidade e condicionava sua participação à construção de um amplo acordo político. Em entrevistas concedidas nos últimos meses, afirmou que somente aceitaria disputar o Senado se houvesse consenso entre as forças do grupo liderado por Ratinho Junior.
Na carta divulgada nesta segunda-feira, Álvaro afirma que esse consenso não foi alcançado. “Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.”
Sem citar diretamente os partidos ou lideranças envolvidas, o ex-senador também afirma que jamais aceitaria ser motivo de divisão e que nunca colocou um projeto pessoal acima de um projeto coletivo.
“Essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.”
Na mensagem, Álvaro diz que toma a decisão sem ressentimentos e afirma que continuará acompanhando a política paranaense, colocando sua experiência à disposição sempre que for chamado.
Leia a carta na íntegra
Meus amigos e minhas amigas,
Ao longo da minha travessia na vida pública, aprendi que as maiores vitórias não são os cargos que ocupamos, mas a confiança que conquistamos das pessoas.
Nos últimos meses, acompanhei com humildade as manifestações de apoio reveladas por pesquisas de opinião mostrando meu nome em primeiro lugar, com significativa vantagem sobre os demais candidatos, e isso muito me honra.
Não interpreto esses números como um prêmio pessoal, mas sim como o reconhecimento de uma história construída com trabalho, dedicação e compromisso com a nossa gente. Confesso que esse apoio despertou em mim uma profunda reflexão. Afinal, quem dedicou uma vida toda ao serviço público nunca deixa de sentir o chamado para continuar contribuindo.
Por isso respondi ao chamado. Mas também aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos.
Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.
E eu jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora.
Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.
Faço essa escolha com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. A política é feita de ciclos, e a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de avançar e o momento de recuar. Saio desta decisão com a consciência tranquila. Minha história foi escrita ao lado da população, nas urnas, nas ruas e nas realizações que tivemos a oportunidade de construir juntos.
Continuarei acompanhando os destinos da nossa gente, do nosso Estado e do nosso país. Continuarei oferecendo minha experiência sempre que ela puder ser útil, sempre que requisitada, opinando quando for chamado, apoiando boas ideias e defendendo aquilo em que sempre acreditei.
Quero agradecer, de coração, a cada cidadão que manifestou confiança no meu nome. Esse gesto ficará para sempre guardado na minha memória e na minha história. Na política somos passageiros. Os mandatos passam. Mas os valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus.
Por isso escolho ficar mais próximo das pessoas que me querem perto, da minha família, amigos e apoiadores de sempre.
Muito obrigado a todos. Que Deus abençoe cada família e continue iluminando os caminhos da nossa gente.
Curitiba, 03 de agosto de 2026.
ÁLVARO DIAS