A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann afirmou ter sido alvo de ataques misóginos durante o debate promovido pela Band Paraná na noite de quarta-feira (9). Segundo ela, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros direcionaram ataques e agressividade contra sua candidatura por ser mulher. Após o debate, Dr. Rosinha também criticou a postura dos dois candidatos e classificou o comportamento como machista.
“No debate da Band, fui covardemente atacada. Os candidatos Deltan Dallagnol e Filipe Barros direcionaram todos os seus ódios e rancores pessoais para quem eles achavam que iriam intimidar por ser mulher”, afirmou Gleisi.
Para a candidata, o episódio serve de alerta para outras mulheres. “Essa violência que sofri no debate entre os candidatos ao Senado serve para mais um alerta a todas nós, mulheres paranaenses, para que não fiquemos em silêncio diante de qualquer forma de agressão, seja ela psicológica ou física.”
Gleisi também reagiu ao que classificou como tentativa de intimidação. “Não somos uma fraquejada, como eles dizem. Somos fortes, temos nosso espaço. Vencemos até aqui às custas de muito sofrimento diante de machistas que, sem argumentos cabíveis, fazem de gestos e palavras uma forma de agressão.”
Antes do início do debate, Gleisi também foi hostilizada por apoiadores de Dallagnol na chegada à emissora.
Rosinha aponta “forte ação machista”
Após o debate, Dr. Rosinha manifestou solidariedade à candidata e afirmou ter identificado tratamento diferente dispensado a Gleisi durante o confronto.
“Houve uma forte ação machista quanto à Gleisi. A postura deles, eu vou dar nome, Deltan Dallagnol principalmente e Filipe Barros, o tom da voz, a maneira de se referir. Sou solidário a você porque você foi vítima desse machismo”, afirmou.
A avaliação de Rosinha coincide com a crítica feita por Gleisi à forma como os dois adversários conduziram os embates. Durante o programa, os confrontos mais duros envolveram principalmente Dallagnol e Filipe Barros, com discussões sobre a situação eleitoral do ex-procurador, o Banco Master, segurança pública e outros temas nacionais e estaduais.
Gleisi confronta Dallagnol sobre inelegibilidade
Em um dos principais embates da noite, Gleisi questionou a situação eleitoral de Dallagnol e lembrou a decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, em 2023, cassou seu registro de candidatura a deputado federal.
Naquela decisão, o TSE entendeu que Dallagnol pediu exoneração do Ministério Público Federal em novembro de 2021 enquanto havia procedimentos em andamento no Conselho Nacional do Ministério Público. O tribunal aplicou a Lei da Ficha Limpa para cassar o registro concedido na eleição de 2022.
“Você fraudou a Lei da Ficha Limpa, Deltan. Essa decisão do Tribunal Regional Eleitoral já está sendo questionada no TSE. Você continua inelegível. Está inelegível, está ilegal, porque é ficha suja. Foi condenado por unanimidade pelo TSE. Deltan quer que a lei se aplique para todos, mas, para ele, ele não quer que a lei seja aplicada”, disse Gleisi.
A candidata também relacionou o discurso anticorrupção de Dallagnol às investigações sobre o Banco Master. “Se Deltan combatesse de verdade a corrupção, como ele diz, ele não estava do lado do Flávio Bolsonaro, que ligou para o Vorcaro pedindo R$ 136 milhões e chamou o Vorcaro de ‘irmãozão’”, afirmou.
Banco Master entra no confronto com Filipe Barros
Gleisi também questionou Filipe Barros sobre o projeto apresentado pelo deputado para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A candidata relacionou a proposta aos interesses do Banco Master e cobrou de Barros uma explicação sobre a origem da iniciativa.
“Eu quero perguntar para ele quem que pediu para ele apresentar o projeto que aumentava o valor do Fundo Garantidor, que beneficiava o Master e o Vorcaro. Foi o próprio Vorcaro? Foi o Flávio Bolsonaro? Ou foi o Eduardo Bolsonaro? Quem que te pediu esse projeto?”, questionou.
Segurança, bets e atuação no Senado
Em outros momentos do debate, Gleisi defendeu o uso de câmeras corporais pelas polícias e investimentos em inteligência para atingir os financiadores do crime organizado. Para ela, a política de segurança também precisa considerar as condições de trabalho e os índices de adoecimento entre policiais.
A candidata ainda se posicionou contra as bets e defendeu o fim das plataformas de apostas. Enquanto isso não ocorrer, afirmou que pretende proibir sua publicidade, comparando a medida às restrições existentes para outros produtos que causam dependência.
Gleisi também rebateu a acusação dos candidatos da extrema direita de que os governos petistas seriam permissivos com o crime. Ela citou a PEC da Segurança Pública enviada pelo governo Lula e medidas de enfrentamento às organizações criminosas.
Na abertura do debate, a candidata lembrou ainda sua experiência como senadora, ministra da Casa Civil, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, diretora da Itaipu Binacional e secretária municipal em Londrina. Destacou também sua atuação na criação da lei que instituiu o feminicídio, nas Patrulhas Maria da Penha e na aposentadoria das donas de casa.
“Eu conheço bem Brasília e conheço o Senado. Eu sei o quanto a gente pode fazer para trazer mais investimentos de Brasília para o Paraná e colocar ainda mais o Paraná em Brasília”, afirmou.