Quase tudo ia bem na pré-campanha de Lula. Aprovação do governo em alta, presidente disposto, discurso firme em torno da soberania e, sobretudo, alegria nas redes — tanto de Lula quanto dos militantes.
A campanha começou e parte disso desapareceu. Os programas de TV não empolgaram e as redes adquiriram uma solenidade que nem durante a Presidência se via. Diminuíram os bastidores, as brincadeiras e a espontaneidade, enquanto cresceram os conteúdos mais oficiais e eleitorais.
E então veio a crise do Master. Nas últimas duas semanas, a conjuntura política mudou com a crise envolvendo o Banco Master e o STF.
Lula demorou a reagir, mas, quando reagiu, foi para a ofensiva. Pediu a quebra total do sigilo das investigações e, em entrevista ao SBT, defendeu uma reforma do Judiciário e mandato para ministros do STF. Também tomou a iniciativa diante da crise e passou a articular com o presidente do Supremo, Edson Fachin, alternativas para uma saída institucional.
A entrevista ao SBT mostrou ainda outro caminho que pode ser mais explorado na campanha: Lula precisa conversar mais diretamente com a população. Dar mais entrevistas consome menos energia do que uma sequência de agendas políticas e permite ao presidente falar por mais tempo, desenvolver seus argumentos e alcançar um público maior.
Agora, precisa trazer a alegria de volta para a campanha, nas ruas e nas redes.
Programa de TV é para TV. A linguagem das redes é outra. Naturalmente, cortes podem ser reaproveitados, e em vários momentos Lula tem levado pautas dos programas eleitorais para conteúdos produzidos especificamente para as redes. Mas ainda há espaço para recuperar o que funcionava tão bem antes da campanha: espontaneidade, bastidores, brincadeiras, humor e leveza.
Nas ruas, também é preciso mobilizar a militância, fazer os materiais chegarem e chamar a turma para conversar com as pessoas e pedir votos. Em Curitiba, por exemplo, temos o Carnalula, que é importante, mas é preciso ampliar as agendas de apoio ao presidente e colocar a campanha para circular pela cidade.
Lula saiu das cordas e voltou à ofensiva. Agora precisa fazer a campanha recuperar a energia que tinha antes de começar.
Lula precisa ir para cima. Mas sem perder a ternura e a alegria.