Ratinho Jr. pagou o preço pela privatização atabalhoada da Copel

Motivos não faltam para a derrota do grupo de Ratinho Jr. nas urnas. O processo sucessório teve falhas, idas e vindas e falta de articulação política. Mas, no debate eleitoral, o que mais pesou foi a privatização da Copel e a piora dos serviços da companhia, que atingiu consumidores e o setor produtivo, somada ao aumento da tarifa.

O candidato de Ratinho Jr., de forma enganosa, tentou jogar no governo federal a culpa pelo aumento de 20% — aproveitando para atacar Lula e exibir toda a sua verve bolsonarista. Não procede. Quem pede o reajuste são as companhias. A Aneel homologa.

Na eleição passada, Ratinho Jr. não participou de debates e deu poucas entrevistas. Desta vez, com seu candidato mal nas pesquisas — e depois mal nas urnas —, não houve como blindar o governo. Pela primeira vez em anos, sua gestão foi confrontada diretamente, e as falhas apareceram com mais nitidez.

Mesmo com toda a máquina do governo estadual, Sandro Alex terminou com 25,37% dos votos válidos, contra 23,47% de Requião Filho — uma diferença de apenas 118.163 votos num universo de mais de 6,2 milhões de votos válidos.

E o desempenho nas grandes cidades ajuda a dimensionar a derrota. Em Curitiba, Sandro ficou atrás até de Requião Filho: teve 24,12%, contra 25,01% do candidato do PDT e 49,26% de Sergio Moro. Em Londrina, Sandro caiu para 16,60%, enquanto Requião Filho chegou a 22,26% e Moro, a 59,61%. Até em Ponta Grossa, sua cidade natal, perdeu com folga: 28,59%, contra 47,29% de Moro; Requião Filho teve 23,05%.

Naturalmente, uma derrota tem vários fatores. Também não dá para ignorar a força do bolsonarismo no Paraná, capitalizada por Sergio Moro — ainda que Sandro Alex tenha tentado disputar essa hegemonia.

Mas, no debate público, a Copel foi o principal calcanhar de Aquiles do governo. E os números posteriores à privatização tornam a operação ainda mais difícil de defender.

O Governo do Paraná arrecadou cerca de R$ 3,1 bilhões com a venda das ações que retirou do Estado o controle da companhia, em 2023. Menos de três anos depois, a Copel privatizada já havia distribuído R$ 5,87 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas — quase o dobro do que entrou nos cofres públicos com a privatização.

A mudança de prioridade também aparece na política de dividendos. Antes, o piso de distribuição era de 25% do lucro. Depois da privatização, passou a 75%. Só em 2025, foram R$ 2,45 bilhões destinados aos acionistas. Em 2026, a companhia já aprovou novos pagamentos.

Ou seja: o Estado abriu mão do controle da maior empresa do Paraná por cerca de R$ 3,1 bilhões e, em menos de três anos, a própria companhia distribuiu aos acionistas quase R$ 6 bilhões.

Ao mesmo tempo, os consumidores passaram a enfrentar um reajuste tarifário superior a 20% e reclamações crescentes sobre a qualidade do serviço.

A privatização rendeu bilhões aos acionistas. Para Ratinho Jr., cobrou seu preço nas urnas.

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