Em entrevista ao UOL, Requião diz que PR não tem governo e afirma que é preciso governar com o coração

O pré-candidato ao governo do Paraná Roberto Requião concedeu entrevista ao UOL nesta sexta-feira, transmitida ao vivo pelo Youtube. Na conversa de pouco mais de uma hora, Requião criticou de maneira contundente os governos de Jair Bolsonaro e Ratinho Jr, defendeu o legado de suas três passagens pelo Palácio do Iguaçu e mostrou quais devem ser as bases de sua campanha eleitoral: a defesa das empresas públicas, principalmente Copel e Sanepar, como instrumento para combater a inflação do paranaense; a reestruturação do funcionalismo público no Estado para melhorar o serviço prestado à população em áreas como saúde e educação; a diversificação da agricultura; e a contrariedade à volta do pedágio.

Requião durante entrevista ao UOL

Requião propôs um governo de mediação e que se preocupe com as pessoas.

“O governador tem que se pautar nos interesses das pessoas. Tem que mediar, conversar, colocar coração nisso, solidariedade e amor pelo povo. Ou então não faça política — vá fazer negócio”.

Roberto requião, pré-candidato ao governo do paraná

O ex-senador também foi indagado sobre questões nacionais. Já no começo da entrevista, Requião classificou o presidente Jair Bolsonaro como “o animador de picadeiro desse circo que o Brasil virou” e disse que espera a vitória de Lula no primeiro turno.

Para Requião, Lula é a esperança para o Brasil voltar à normalidade. “O Lula está mais experiente. Ele vai chamar os erros de experiência e fará o melhor governo que o Brasil já teve. O Lula hoje tem uma visão anti-imperialista e entendeu por que derrubaram a Dilma e o colocaram na cadeia”.

Requião disse que espera um plano de governo do PT “aristotélico” – que seja factível de realizar, mas sem se associar ao capital financeiro. “O PT tem que ter projeto de governo aristotélico, eficiente, que não peque pela temeridade e que viabilize sua prática no poder posteriormente, mas não peque pela covardia de se associar ao capital financeiro”.

Questionado sobre indicação de Geraldo Alckmin como vice de Lula, Requião ponderou que o PT busca a construção de um movimento para recuperação do Brasil e reestabelecimento da normalidade.  “O Alckmin agrega dentro desse contexto e transforma a vitória do Lula num movimento de salvação do país. Pessoalmente, gosto dele”.

O senador fez críticas ao neoliberalismo que norteia a economia sob a batuta de Paulo Guedes e que, de acordo com ele, também está presente no Paraná, através da privatização das empresas públicas e sucateamento do Estado. De acordo com Requião, a política liberal está levando o Brasil à falência e as pessoas à miséria.

“Hoje no Paraná as pessoas ficam na dúvida se pagam a conta de água ou de luz ou põem comida na mesa. Enquanto isso, o governo dá, secretamente, R$ 17 bilhões de desoneração fiscal para grandes empresas”.

REquião

São situação que, segundo Requião, causam revolta e o estimularam a se colocar como pré-candidato. “Eu estou pré-candidato ao governo do estado por indignação. Não existe hoje governo no Paraná”.

Governo Ratinho

Requião criticou o governo de Ratinho Jr, a quem chama de Rato, de diversas formas. Denunciou os R$ 17 bilhões em desoneração fiscal concedida pelo governo a grandes empresas sem que se saiba quem são os beneficiados.

“O que tem atrás destes segredos da política brasileira é patifaria pura”.

Requião disse que Ratinho é vazio, não tem opinião e não governa o Paraná – apenas se preocupa em vender o Estado. “Ele não tem opinião alguma. O Paraná não tem um governo, tem uma máquina que está liquidando o Estado”.

De acordo com o ex-senador, existem 2 tipos de pessoas no Paraná que fogem da polícia: os bandidos e o atual governador. “Onde ele vai tem um policial protestando, pois está morrendo de fome”.

O ex-senador disse que os policiais e professores o apoiam maciçamente, pois reconhecem os avanços alcançados nas áreas durante os governos dele.

Copel e Sanepar

Durante a entrevista, Requião detonou a forma como o governo atual conduz a Copel e a Sanepar. As companhias, segundo ele, estão sendo privatizadas e preocupam-se apenas em distribuir lucros a acionistas — mais de R$ 5 bilhões, no caso da Copel.

“Falta governo, falta investimento, faltam obras. Eles querem privatizar tudo, transformar tudo numa negociata com o Ratinho, o Rato, e essa gente toda subordinada aos interesses econômicos. No primeiro dia após as eleições, eu demito a direção inteira da Sanepar e da Copel e baixo as tarifas”.

Imprensa

O ex-senador defendeu políticas para regulamentar o setor de comunicações, de modo a evitar o monopólio nas mãos de poucos grupos. Ele disse ser uma vítima da falta de pluralidade na imprensa – dominada, no Paraná, por Ratinho Jr, seja através das próprias emissoras de rádio e TV do atual governador, ou então pelos valores milionários que Ratinho despeja nas mãos dos órgãos de imprensa como uma forma de ter propaganda ao seu favor, bem como controlar a linha editorial para que não haja críticas ao governo .

Este ano, Ratinho deve gastar mais de R$ 161 milhões em publicidade.

“O pessoal do Rato, o Ratão e o Ratinho, tem a outorga de 104 antenas de televisão Paraná. Eles dominam as televisões regionais, são donos do SBT e puseram no orçamento do estado do Paraná R$ 161 milhões para fazer propaganda. É um verdadeiro absurdo. É um domínio absoluto”

Requião disse que também é vítima constante de fake news produzidas por Ratinho e aliados. “Já usaram até boletim de ocorrência falsificado. E o tal do Oriovisto, que segundo consta hoje é senador, comprou 10 mil chips de telefone para me caluniar”.

Agricultura

Para o ex-governador, o agronegócio é motivo de orgulho por seu nível de produtividade e tecnologia, mas é preciso diversificar a produção, de modo a garantir a segurança alimentar e combater a alta no preço dos alimentos.

“Somos os maiores produtores de grãos do planeta. Mas está faltando arroz e feijão, que nós estamos importando da China. Está faltando óleo de soja para a mesa dos paranaenses. Está faltando governo”.

Segundo Requião, o agronegócio e as cooperativas tiveram tratamento exemplar no governo dele. E prometeu que fará uma política para dar um impulso no setor. “Eu quero dar um impulso fenomenal na agricultura. Eu quero agrônomos, eu quero sementes melhores”.

Ele relembrou políticas de seu governo, como o Trator Solidário e a Irrigação Noturna – item que se mostrou fundamental para a produtividade no campo. “Eu dei uma sacudida no setor. O sucesso do nosso governo na agricultura foi tão grande que nós revertemos o êxodo rural”.

Petrobras

O pré-candidato fez um discurso duro contra a atual política da Petrobras e sugeriu caminhos para a diminuição do preço dos combustíveis. “Eliminar toda a legislação que impede a redução do preço do petróleo, iniciar grande campanha, como o Getúlio começou (o petróleo é nosso)”.

Confira a entrevista na íntegra:

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